SOLIDARIEDADE

Lar de S. Teotónio é o pólo coordenador do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas

O Programa está em vigor desde Outubro de 2017

2018-02-28
Este é um programa que pretende combater o alívio à pobreza e à exclusão social, através da entrega mensal de alimentos a pessoas carenciadas

Em Odemira, é o Lar de S. Teotónio quem coordena o Programa Operacional de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC). Este, resulta de uma candidatura ao FEAC (Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas) por parte do Instituto de Segurança Social juntamente com o Ministério da Saúde cujo o objectivo é a distribuição de um cabaz mensal, que tenha em atenção uma alimentação equilibrada (peixe, carne, vegetais, mercearias) correspondente a 50% das necessidades nutricionais ao longo de um ano. 

 

Activo desde Outubro de 2017 com a ajuda de outras cinco instituições espalhadas pelo concelho, ainda se detectam algumas dificuldades logísticas.

 

O programa foi apresentado às entidades locais numa reunião promovida pelo Município de Odemira. Foi então discutida a melhor forma da sua implantação no concelho, tendo ficado o Lar de S. Teotónio como pólo coordenador. Dada a necessidade de uma distribuição mais abrangente dos alimentos, criaram-se cinco pólos mediadores, sendo eles a Casa do Povo de S. Luís, a Casa do Povo de S. Martinho das Amoreiras, a Associação Humanitária D. Ana Pacheco (Sabóia), a Associação Lápis de Cor (Vila Nova de Milfontes) e o Jardim de Infância Nossa Senhora da Piedade (Odemira).

 

Passados quatro meses, Sara Ramos – Directora Técnica da Associação de Reformados Pensionistas e Idosos da Freguesia de S. Teotónio e responsável do pólo coordenador – em conversa com o MERCÚRIO, confessa que existem ainda algumas dificuldades de logística, procedimento e problemas de teor informático, reforçando que o programa “é quase uma linha de atendimento permanente” com todas as mediadoras.

 

Após a recepção dos alimentos, tanto o pólo coordenador como as mediadoras devem colocar guias de remessa no portal do programa, emitir credenciais de transporte e explicitar o número total de alimentos recebidos e distribuídos aos beneficiários.

 

A falta de recursos humanos é também muitas vezes sentida na divisão de tarefas que passam desde a gestão do portal, à recepção da mercadoria e o transporte da mesma. O apoio monetário recebido para a logística necessária parece ser insuficiente para cobrir todas as despesas.

 

Acrescenta-se ainda a existência de beneficiários que não têm condições de confecção e armazenamento dos alimentos frescos. A melhor resposta a este problema são as cantinas sociais que tendem a encerrar devido ao aparecimento do POAPMC. Segundo Sara Ramos, a melhor medida a aplicar seria passar as cantinas para o programa em questão, reforçando com a ideia de que poderia ser interessante a existência de uma medida de apoio à compra de equipamentos ou “a recolha de equipamentos patrocinados pelas empresas locais ou doados por particulares”.

 

O Instituto de Segurança Social de Beja é quem realiza os contractos com os fornecedores dos produtos. Cabe ao pólo coordenador recebê-los, armazená-los e, posteriormente, distribuí-los pelas mediadoras. Neste momento, muitos destes produtos estão com atraso e não foram ainda recebidos pela coordenação.

 

A distribuição dos alimentos é feita directamente aos 161 beneficiários abrangidos actualmente pelo programa. Para além da distribuição de produtos alimentares, existem também acções de esclarecimento em cada território para alertar a população contra o desperdício de alimentos e à apresentação de receitas económicas de modo a existir uma boa gestão dos alimentos.

 

A selecção dos beneficiários é feita entre a entidade coordenadora e as mediadoras que se encontram no terreno, através das assistentes sociais. Depois, é lançado um processo no portal do POAPMC que está ligado à Segurança Social para haver uma actualização de dados.

 

“Um dos pontos positivos deste programa é que existe flexibilidade, uma vez que se consegue fechar uma ficha de beneficiário e colocar outro que necessite mais, podendo ainda retomar a outros já abrangidos”, refere Sara.

 

O PAC (Programa de Apoio Complementar) veio reforçar monetariamente o concelho tendo em conta que Odemira está inserido num território superior a 1.000km quadrados e por uma população dispersa e inferior a 100 habitantes por quilómetro quadrado. O Município de Odemira e a Driscoll’s contribuíram com algum material de armazenamento e transporte necessário para o arranque deste programa.

 

Dário Loução (não usa AO)