SOCIEDADE

Jovens missionários regressam pelo terceiro ano a Vila Nova de Milfontes

Missão País presente pela última vez com muitas caras novas

2018-02-28
De 5 a 9 de Fevereiro, Vila Nova de Milfontes recebeu pela terceira vez 50 missionários da Missão País, vindos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Em conversa com o MERCÚRIO, os jovens missionários não só partilharam toda a experiência que viveram durante essa semana, como também fizeram um balanço geral dos três anos e a forma como cresceram enquanto missionários e pessoas, testemunhados pela fé e pela vontade de ajudar e servir.

 

Logo no primeiro ano, decidiram trazer ao Litoral Alentejano o programa Just Change cuja funcionalidade é fazer uma limpeza e remodelação em casa de pessoas carenciadas. Este programa estava apenas confinado a Lisboa, uma vez que existem mais meios para intervir, com obras físicas, em casa das pessoas. Por cá, com a ajuda da CARITAS – que indica quais as casas que necessitam de intervenção – há todo um processo de limpeza e companhia às pessoas em causa. Segundo uma das missionárias, “damos o nosso máximo. Entramos, limpamos e tornamos as casas minimamente habitáveis.”

 

A comunidade já conhece a Missão País nem que seja através das cores das camisolas ou por outros adereços. São vários os momentos que os missionários recordam, como o dia em que estavam a cantar acompanhados de uma guitarra e uma senhora os abordou e lhes perguntou o que estavam a cantar, acabando por se juntar à “festa”.

 

No lar, há sempre quem mostre grande agrado com a chegada dos missionários, ressalva um deles que “se não houvesse Missão País, não estariam com aquele sorriso para toda a gente.”

 

Outra das situações que partilharam foi o caso de uma aluna finalista do Colégio Nossa Senhora da Graça que, acompanhando o trabalho e em conversa com os missionários, decidiu juntar-se à Missão País após ingressar na faculdade. Segundo uma das missionárias, “é incrível ver isto a acontecer, saber que a semente fica”.

 

Após um dia de missões, chega a altura dos jogos e das actividades. Normalmente também se fazem palestras sobre a temática da missão de cada ano. Desta vez, “A Paz Esteja Em Sua Casa”, contou com o testemunho de um senhor que é pai de 9 filhos que explicou como é viver em paz numa casa cheia.

 

Como referido, as casas do programa Just Change, em Vila Nova de Milfontes, são sempre indicadas pela CARITAS a cargo do representante Francisco Brandão de Melo. Geralmente, são lares que a associação acompanha e lhes facilita o acesso para que apliquem o fundamento do programa.

 

Esta terceira passagem por Vila Nova de Milfontes foi o ano com mais caras novas entre os missionários. Por norma, a prioridade são os alunos da faculdade em questão para que possam acompanhar a “pós-missão”, momento em que os missionários se juntam para discutir todo o trabalho que fizeram e onde realizam orações conjuntas. No entanto, ninguém é posto de parte desde que tenha vontade de ajudar. Mesmo sendo “caloiros”, os novos missionários chegaram cheios de ideias e dinâmicas e facilmente cumpriram o seu dever.

 

Normalmente, as missões decorrem por três anos numa localidade onde haja casos de pessoas desfavorecidas e isoladas da sociedade. No entanto, a Missão País não toca apenas a estas pessoas, mas sim à comunidade no geral pois passa por várias associações. Em Vila Nova de Milfontes, realizaram acções na Associação Lápis de Cor (creche), no lar de Vila Nova de Milfontes, no Colégio Nossa Senhora da Graça e de evangelização, porta-a-porta, oferecendo ajuda às pessoas nas suas tarefas ou apenas para conversar e fazer companhia.

 

Antecede a tudo isto uma organização prévia, ao que os missionários chamam de “pré-missão”. Em Setembro/Outubro começa por se estabelecer o lugar a visitar ou, se se tratar de um local já visitado, por rever todo o trabalho por lá realizado e onde mais se pode actuar. No caso de ser uma localidade nova, é necessário o contacto com a diocese e autarquias locais. Neste caso, fora o padre João Paulo quem lhes cedeu um espaço nas instalações do Instituto Nossa Senhora de Fátima onde os missionários se fixaram durante toda a semana de missão. A junta de freguesia pagou algumas das refeições dos missionários na cantina do colégio e algumas empresas locais, como a Vitacress e a AlenBaga, colaboraram com alimentos para refeições restantes.

 

No primeiro ano existe sempre uma maior logística pela necessidade de se fazerem os contactos e visitar o local. A Missão País tenta sempre procurar donativos por parte das empresas e dos próprios missionários – sejam eles de forma monetária ou material –, não esquecendo os acordos que já existem, como é o caso da empresa Barraqueiro que fornece o transporte até ao local da missão. 

 

 

A MISSÃO PAÍS

 

Trata-se de um projecto organizado por jovens universitários católicos cujo o objectivo é levar Jesus à universidade e evangelizar Portugal através do testemunho da fé, do serviço e da caridade.

 

Foram já realizadas 154 missões em mais de 70 locais, desde 2003 e já participam nas missões várias faculdades de Lisboa, Porto, Coimbra e Braga. Tudo começou com 20 missionários, hoje em dia são cerca de 1800.

 

As visitas às casas constituem a parte central da missão e uma experiência enriquecedora de quem a realiza. É uma oportunidade para os missionários se aproximarem da população e de dar a conhecer a missão, de uma maneira mais pessoal. O objectivo do porta-a-porta é viver uma experiência semelhante à que viveram os apóstolos enviados por Cristo.

 

Porém, a missão divide-se em três partes: 

 

A Missão Externa, que se estabelece nas comunidades pois o seu fim é poder ajudar a comunidade em questão, representada por dois chefes: o Just Change (remodelação das casas), os lares, creches, instituições de ensino e o porta-a-porta. Geralmente, existe rotatividade dos missionários nestas comunidades para que tenham um maior número de experiências, com excepção do Just Change que implica estar o mesmo grupo por uma questão de sigilo e confiança. Por complementarem o trabalho de todos os profissionais que estão nas entidades receptoras, a missão é sempre bem recebida.

 

A Missão Interna é baseada no espírito de amizade, na ligação de afectos representados em orações de reflexão e no estabelecimento de vínculos mais próximos com aqueles que se cruzam.

 

A Missão Pessoal consiste na aprendizagem durante as missões, de modo a reflectir sobre elas numa oração individual e colectiva (aquando da partilha de todo o sucesso alcançado em cada missão).

 

 

Testemunhos

 

CARITAS

A CARITAS foi uma das primeiras entidades a ser contactadas pela Missão País. Francisco Brandão de Melo, actual responsável da associação, ressalva que, por ser a CARITAS uma instância típica e oficial da Igreja Católica para a promoção da sua acção social, “teria a obrigação de encarar esse papel”.

Em todos os anos são “dadas” aos missionários duas casas para intervir. Desde o primeiro até ao último dia de missão, os missionários cumprem com as suas tarefas. Francisco confessa ainda que “a boa vontade que eles demonstram também me levam a nunca lhes dizer que não”, pois é ele quem lhes cede os materiais necessários a essas intervenções e os acompanha em todo o processo.

 

Lar de Vila Nova de Milfontes

Mário Feliciano, responsável do lar, recebeu de braços abertos os missionários. Diz Mário que a Missão País é “um grande trabalho de solidariedade” e que “é incrível ver estes jovens com esta força.”

Toda a missão é vista com positivismo por toda a gente do lar. No entanto, confessa que gostaria que a Missão País voltasse de novo ao concelho, mas agora à freguesia de Sabóia – de onde é natural – dizendo “por conhecer bem aquela área é que sei que necessita de mais intervenção. Falei com os missionários e eles disseram que iam estudar essa hipótese.”

Termina o seu testemunho com “foi bom, bonito e gratificante de apoiar” e que “espectacular” é a palavra-chave por todos os anos de trabalho que a Missão País fez na vila.

 

Associação Lápis de Cor

“Na semana de 5 a 9 de Fevereiro recebemos na nossa instituição alguns jovens voluntários da FCUL. Passaram connosco algumas manhãs e tardes, nas quais brincaram e integraram algumas das actividades das nossas salas. Partilharam connosco canções e brincadeiras. 

As crianças adoraram a sua presença. Foi uma semana muito enriquecedora pela partilha de experiencias, tanto para nós como para o grupo de voluntários. O nosso grande obrigado!” 

 

 

Dário Loução (não usa AO)