E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Regulação emocional 2

Queremos encontrar os processos disfuncionais


Por:Maria Monteiro

Fotografia: Mubariz Mehdizadeh (Unsplash)
2018-04-24
Já alguma vez disse “saltou-me a tampa”, “passei-me” ou “deu-me um vaipe”?

Já alguma vez disse “saltou-me a tampa”, “passei-me” ou “deu-me um vaipe”? Eu já!

 

Estas expressões falam da nossa incapacidade (em certas situações) para regular as emoções, da nossa impulsividade ou reactividade.

 

“A incapacidade para regular emoções aumenta consideravelmente, a probabilidade dos sujeitos apresentarem défices em vários campos, designadamente social, relacional, académico, laboral e mesmo clínico”. (Gross & Munoz, 1995, Simpson, Hughes & Snyder, 2005). Link

 

Nalgumas dessas situações, gostava de ter respondido de forma diferente ou compreender o porquê do efeito dessa situação em si?

 

A forma mais eficaz de aprender a responder indo ao encontro dos seus objectivos é utilizando a situação em que lhe “saltou a tampa”. Observe como reage (ou reagiu) numa qualquer situação em que, quando dá por si, já lhe “saltou a tampa”, descontrolou-se. Vai ter que estar atento, muito atento! Queremos que os primeiros sinais não lhe passem desapercebidos. Sim! Há sinais que precedem a activação emocional! Eles são preciosos para este processo! No meu caso, a minha voz muda, fica desafinada, fico com calor, cerro os dentes, hiperventilo, deixo de ouvir o exterior, o coração bate acelerado e a minha atenção foca-se demasiado na situação, parece que mais nada existe na minha vida!

 

O que realmente me causa desconforto e confusão quando estou a viver uma situação destas é que aquilo que faço, digo, penso, desejo não tem nada de construtivo, divertido, bem temperado e arrojado!

 

Sim! Eu quero que as emoções continuem a temperar a minha vida de forma arrojada como escrevi no artigo anterior. O que acontece é que neste tipo de situações, as emoções que surgem transformam-se invariavelmente numa grande frustração.

 

Então já sabe! Numa próxima situação, no momento em em que (ou depois) lhe “salta a tampa” alegre-se pois pode começar o seu desafio, a sua aprendizagem! O primeiro passo é observar! Observe ou recapitule as suas reacções fisiológicas (respiração, coração, temperatura, transpiração, tensão muscular, foco da atenção, tom de voz, …) os seus comportamentos, os comportamentos do outro ou as características da situação, o local, …

 

Mas para quê tanto trabalho? Que obsessão é esta, em querer tudo tão certinho, aprumado e equilibrado! Não é bem isso … Os autores que estudam estes assuntos asseguram que “O processo de regulação das emoções é visto como um elemento que confere aos indivíduos as competências necessárias para que possam responder com flexibilidade às exigências do seu ambiente (Putman & Silk, 2005)”, do seu dia-a-dia. Por outro lado, a regulação emocional também é vista “enquanto processo funcional que permite atingir os objectivos pessoais e interpessoais a que os indivíduos se propõem (Simpson, Hughes, & Snyder, 2006). A regulação emocional revela-se igualmente útil dado que permite aos indivíduos adaptarem-se aos desafios do quotidiano e manterem um certo nível de bem-estar subjectivo, prevenindo os efeitos nefastos da exposição crónica a eventos stressores (Eksner, 2004)”.

 

O segundo passo é observar outra vez! Dedique-se agora a observar ou recapitular o tipo de situação, o tema da conversa, o que foi dito, a palavra ou comportamento que serviu de gatilho às emoções e comportamentos, o que não suportou ouvir ou ver, … Observe e anote.

 

Precisamos de alguma prática de observação para encontrarmos um padrão, algo comum às situações que nos fazem “saltar a tampa” para juntar informação necessária para concretizar o nosso desafio – identificar e entender o processo que acontece no momento da activação emocional e alterar o que desejamos. Queremos encontrar os processos disfuncionais que se encontram na base da sua regulação Emocional. Claro que acho muito interessante esta área de conhecimento e reconfortante encontrar aquilo que mexe comigo, que faz “saltar a minha tampa”. Umas vezes consigo rir de mim própria e abraçar as minhas fragilidades, outras vezes não! Isso dá-me bem-estar e paz interior! Acredito que a si também. Link

 

por Maria Monteiro