EDITORIAL

Reagir ou agir

Keep Cool


Por:Pedro Pinto Leite

Hidde Rensink -unsplash
2018-05-23
Quando se reage transfere-se a responsabilidade da situação para o outro através da culpa, assume-se o papel de vítima

Agir é um ato voluntário e consciente que requer iniciativa. Significa fazer algo com intenção e de livre vontade. Quem age escolhe e planeia de forma tranquila.

 

Ser responsivo é reagir de forma esperada ou apropriada em determinada situação.

 

Reagir é um ato mais instintivo e impulsivo sobre algo externo, através do medo ou da raiva. É um estado de alerta primitivo e de sobrevivência.

 

John Ford (Jurista, americano, experiente em mediação no trabalho) diz que “uma vez aceitando o conflito como inevitável nas relações sociais, a pergunta que temos de fazer é ‘como é que devemos responder?’”, e responde “com responsabilidade”.

 

O problema é que muitas vezes quem está em conflito tende a ser reativo e quando se reage, segundo ele, transfere-se a responsabilidade da situação para o outro através da culpa, assume-se o papel de vítima e assim é-se ‘justificadamente’ levado por sentimentos poderosos de raiva, medo e tristeza. É um modelo de reação inconsciente que procura reconhecimento, justiça, restabelecimento e até vingança.

 

Ao reagir aceita-se a provocação e dá-se poder de ação e valida-se as ações de quem ‘ofende’.

 

Para se passar de um estado para o outro (da reação à ação) o “truque é tornar-se consciente da reação inicial, resistir a fazer qualquer coisa, envolver a inteligência superior, considerar opções, possíveis ramificações, o que se pretende ser, saber quais os interesses pretendidos e, finalmente, escolher como responder” (Debbie Hampton).

 

“O ato de responder requer que se olhe para a circunstância, que se identifique o problema ou situação, ouvir e refletir. A reflexão pode ser de um momento, de horas ou dias (J. Loeks). O que importa aqui é parar para pensar para tomar melhores decisões.

 

Posto isto...

 

Com a possibilidade da prospeção de hidrocarbonetos ao largo de Aljezur poder começar em setembro/outubro, uma vez que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) decidiu dispensar uma Avaliação de Impacte Ambiental, vale a pena agir e concertadamente.

 

Seria bom que todas as instituições, embora que, numa primeira fase, compreensivamente, possam ter reagido, saibam escolher uma forma credível de ação.

 

Quando se age criam-se alternativas que acrescentam valor.

 

A reação amplia o conflito e a ação encontra novas abordagens ao tema.

 

No seu primeiro comunicado, os movimentos ambientalistas reagiram “gritando” palavras de ordem e exigindo demissões de presidentes, secretários de estado e ministros, mas sabe-se de antemão que, mesmo que aqueles se demitam ou sejam demitidos, a causa dos pedidos para que isso aconteça não muda.

 

Espera-se que, numa segunda fase, se encare o problema e se encontrem argumentos e formas de conseguir o objetivo primeiro: impedir que se fure ao largo de Aljezur.

 

A sociedade civil, de certa forma, tem vindo a agir, mesmo com todas a suas limitações. Da classe política espera-se que não se deixem iludir por “falinhas mansas” e que, também eles, saibam tomar medidas que possam ir ao encontro das vontades da sociedade civil.

 

Pedro Pinto Leite