E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

O silêncio do Online

O uso problemático e excessivo da internet


Por:Maria Monteiro

Avi Richards - unsplash
2018-05-23
Como irão os adolescentes que demonstram uso excessivo ou problemático que caracteriza “comportamento de dependência online” fazer a sua autonomização e socialização?

Não há dúvida que a internet é uma ferramenta imprescindível, útil e de uso regular para a grande maioria das pessoas em variadíssimos contextos. Aquilo que hoje podemos resolver e aceder online era impensável há uns tempos atrás. Criou-se um hábito, uma dependência dessa ferramenta. Um comportamento que abrange crianças, jovens e adultos.

 

Aquilo que pretendo abordar é o uso problemático e excessivo da internet, em especial na adolescência. Trata-se de aprender a lidar com uma nova necessidade. Trata-se de pensar e gerir a utilização desta ferramenta incrível e equilibrar as relações interpessoais com as relações digitais. Como irão os adolescentes que demonstram uso excessivo ou problemático que caracteriza “comportamento de dependência online” fazer a sua autonomização e socialização?

 

Trata-se de pais, professores e jovens definirem estratégias e formas de intervenção para lidar com esta realidade. Este comportamento de uso excessivo e problemático da internet foi recentemente considerada pelo Manual de Diagnóstico das Doenças Mentais DSM 5, uma dependência comportamental com os respectivos critérios de avaliação e diagnóstico com casos em que é realizada uma intervenção individual e/ou familiar por técnicos da saúde.

 

Os aspectos que são analisados para avaliar se existe uso excessivo e problemático da internet são, entre outros, o uso, o acesso, as preferências, a percepção do tempo, os motivos de acesso bem como os padrões de relação na família e a relação de compromisso que define o uso da internet.

 

Ivone Patrão refere que “Os jovens são um grupo de maior risco, uma vez que a adolescência é o período do ciclo de vida que acarreta um maior número de mudanças, criando assim uma maior susceptibilidade às dependências em função dos factores biológicos, psicológicos e sociais. As dependências online em jovens estão relacionadas positivamente de forma significativa com a sintomatologia depressiva e ansiosa, o isolamento social, a impulsividade, a baixa auto-estima, as alterações do sono, a deficiente rede de suporte social/emocional, baixo autocontrolo, uso de álcool e substâncias e baixo desempenho académico”. (Link)

 

Outro estudo recente encontrou uma correlação positiva e significativa entre a adição à internet e as perturbações alimentares. (Link)

 

Uma das tarefas desenvolvimentais que ocorre durante a adolescência, essencial nas relações interpessoais e na vida em sociedade é a socialização que visa a pertença a um grupo de amigos ou a um grupo com interesses comuns e a conquista da autonomia. A pertença a um grupo de amigos e a aquisição das respectivas competências sociais que permitem aprofundar relações, criar um grupo de suporte e a identidade pessoal, funciona como um factor protector durante toda a vida. A autonomia é uma competência que quando adquirida é essencial para o sentimento de independência e de controlo do seu próprio comportamento.

 

Hoje, esta tarefa de socialização é feita online por muitos jovens. As características de uma socialização online são diferentes da socialização num contexto real face a face, bem como são diferentes as competências pessoais e sociais envolvidas. Quando gradualmente ou repentinamente as relações entre jovens são exclusiva e/ou excessivamente online é provável que estejamos (família e escola) a comprometer a aquisição de competências sociais e relacionais e a contribuir para aumentar o isolamento social destes jovens. O isolamento social é um factor de risco para a saúde. (Link)

 

Outro estudo interessante relaciona o uso do smartphone e os traços de personalidade. Existem traços de Personalidade que podem funcionar como factores de risco ou como factores de protecção para as dependências online. (Link)

 

São questões actuais que requerem mais estudos para que possamos apostar em programas de prevenção e intervenção. É necessário estar atento e encontrar uma relação equilibrada no uso da internet, dos conteúdos online e dos smartphones.

 

Maria Monteiro