SOCIEDADE

Vivências partilhadas

USO A Universidade Sénior de Odemira

2018-06-20
Um projecto que surge como uma resposta social a pessoas com mais de cinquenta e cinco anos

Um projecto que surge como uma resposta social a pessoas com mais de cinquenta e cinco anos, como forma de as manter activas e interessadas por diversas áreas de estudo do saber, incrementando a sua auto-estima, gosto pela aprendizagem ao longo da vida e como forma de ocupação dos tempos livres

 

 

QUEM SOMOS
 

A USO - Universidade Sénior de Odemira é um projecto da Fundação Odemira, uma associação sem fins lucrativos, retomado pelo grupo empresarial Arméria.

 

Nasceu em 2010. Tem uma equipa de excelência que procura ajudar os estudantes e professores a atingir todas as suas metas.

 

Que o seu projecto é relevante, diz-no-lo o número de alunos que, ano após ano, se vêm inscrevendo nos projectos e disciplinas que oferecemos. Com uma média de 60 alunos por ano lectivo até 2016 e de cerca de 20 a partir daquela data, com uma flutuação de cerca de 20% (estudantes novos que se inscrevem e outros que interrompem a sua actividade) a USO orgulha-se de ser uma das cerca de trezentas universidades seniores do país.

 

Diz-no-lo, ainda, o número de professores voluntários, no activo, ou aposentados, professores ou oriundos de outras áreas do saber, a rondar a vintena até 2016 e a dezena a partir daí, que, de forma entusiasta, abraçam o projecto e oferecem o seu tempo, e o seu saber, conscientes de que saem mais ricos, ao encararem a aprendizagem partilhada ao longo da vida e o envelhecimento de forma integrada e global.

 

Por isso, a lista de disciplinas que oferecemos é vasta e abrange muitas áreas, algumas de cariz mais académico, outras mais criativas. Também aqui se verifica uma oscilação, havendo em cada ano um número de professores novos que entram a par de outros que vão saindo e que, muitas vezes, regressam…

 

Com métodos de trabalho inovadores e divertidos, a Universidade Sénior de Odemira forma as pessoas, visando a aquisição de novas competências, mas também, e sobretudo, a partilha de saberes e de saberes-estar e saberes-ser, num contacto entre gente interessada e veículo de saberes vários, sempre em busca do bem-estar e confiança dos seniores.

 

Nesses saberes englobamos as ciências, as artes, a criatividade, as novas tecnologias, o autoconhecimento. Dinamizamos e oferecemos um vasto leque de actividades, em que se inserem visitas de estudo e outro tipo de passeios, cuja finalidade é mais lúdica.

 

A nossa tuna de música representa a nossa universidade, com grande sucesso, em momentos diversos, quer dando conta, na Comunidade, da sua actividade, quer divulgando o seu projecto em outros espaços, junto de instituições congéneres e nas cerimónias de encerramento do ano lectivo. As cerimónias de encerramento do ano lectivo tiveram lugar até ao ano de 2015, com participação do presidente da Câmara de Odemira ou um seu representante, havendo distribuição de diplomas a docentes e discentes.

 

Em síntese, oferecemos disciplinas organizadas segundo as seguintes áreas de saber:

 

Línguas e Literaturas

Ciências Sociais

Expressão artística

Ciências da Vida

Saúde e Movimento

 

Além de um ensino regular, mais tradicional, é promovido um leque diversificado de actividades quer formativas, como colóquios, conferências, visitas de estudo, quer socioafectivas, como convívios, almoços e viagens de lazer.

 

As Artes têm grande relevo, quer pelas actividades que são desenvolvidas quer pela visibilidade que dão ao projecto.

 

Como o conhecimento e a sabedoria nunca envelhecem, aproveite para descobrir novas ideias, novos amigos, num oceano de cultura e lazer.

 

 

O Município de Odemira tem como principal objectivo contribuir para a resolução de problemas que assumem proporções crescentes nos dias de hoje: o problema do isolamento e o problema da solidão, que provocam uma deficiente qualidade de vida, tendo em conta que o concelho apresenta uma taxa de envelhecimento bastante elevada.

 

A Universidade Sénior pretende inserir-se no âmbito da comunicação entre gerações e o intercâmbio de vivências e experiências, bem como o incentivo à transmissão de saberes, através do diálogo e das diferentes formas de expressão sendo esta uma das áreas prioritárias ao nível de intervenção. É não só um espaço de valorização pessoal e social, reforçando o seu papel na sociedade, mas também uma aprendizagem ao longo da vida, sendo ministrado em regime não formal e como tal, sem fins de atribuição de grau académico.

 

A USO é membro, desde a sua fundação, da RUTIS (Rede de Universidades da Terceira Idade). Tem participado em várias ocasiões e quando possível nas actividades daquela rede.

 

A condição de excluídos da vida activa gera a necessidade de os idosos se sentirem úteis, de serem reconhecidos por outras pessoas. A sociedade deve continuar a acreditar e a estimular as potencialidades dos seniores, que não se reconhecem como “velhos trabalhadores”, mas antes como “menos jovens retirados” do trabalho profissional. Muitas vezes, só é permitido que os protagonistas sejam a «infância», a «juventude», os «mais jovens» ou os «menos velhos». Mas e os seniores? Quando deixarão de constar apenas no fim do elenco de atores (sociais)? Neste sentido, as designadas universidades seniores surgem como agentes facilitadores não só da autovalorização de cada sénior, mas também de uma maior consciencialização da sociedade face ao processo de envelhecimento.

 

Além dos benefícios para a saúde a nível físico, é importante destacar também o bem-estar psicológico, emocional e mental. As universidades seniores permitem manter e incentivar a actividade intelectual dos alunos seniores, contribuindo para a ginástica mental, que evita a deterioração das actividades cognitivas.

 

Em 1976, surge em Portugal (mais precisamente em Lisboa) a primeira instituição educativa vocacionada para o público sénior, tendo como referência o modelo inglês, isto é, sem fins lucrativos e privilegiando a aprendizagem não formal. Pelo contrário, o modelo francês caracteriza-se por instituições normalmente criadas pelas universidades tradicionais que concedem certificação, têm professores bem remunerados e seguem um protótipo de ensino formal. Das instituições educativas existentes para os seniores em Portugal, algumas denominam-se universidades seniores, outras possuem outro epíteto ou intitulam-se universidades da terceira idade e ainda academias seniores, sendo possível recorrer à expressão universidade desde que não se atribua nenhuma certificação ou título académico (Decreto-Lei nº 252/82, de 28 de Junho).

 

Investigação de professor do Politécnico de Coimbra mostra que alunos da terceira idade estão satisfeitos com a sua vida e não apresentam sintomas de depressão ou ansiedade. Em Portugal existem cerca de 400 instituições deste tipo e 50 mil alunos inscritos. 

 

A tese de Ricardo Pocinho foi defendida, em Julho, na Universidade de Valência, em Espanha. Este investigador, actualmente em funções no Politécnico de Coimbra, também foi professor em universidades seniores, entre 2011 e 2012, e tem dedicado os últimos anos da sua carreira às questões do envelhecimento. “Nos congressos, muita gente fala destas questões, mas não havia suporte”, explica, o que motivou este estudo. Este trabalho recentemente concluído aplicou quatro instrumentos de avaliação da saúde junto da população que frequenta as universidades seniores: escala de satisfação com a vida, escala de solidão, escala de depressão geriátrica e inventário de ansiedade geriátrica. Em todos eles, os resultados são positivos.

 

A explicação pode estar num certo “clima de informalidade” que reina nestas universidades, que cria o que o investigador chama de “famílias escolares”. “Aqui as pessoas ajudam-se mutuamente, o conhecimento é baixado ao nível da prática e não há nenhum momento de obrigatoriedade de estudo”, exemplifica o investigador.

 

Portugal terá cerca de 500 universidades seniores em funcionamento. A Associação Rede de Universidades da Terceira Idade (Rutis) tem 280 registadas, às quais se juntam mais cerca de 200 associadas ao Rotary Club, bem como algumas instituições que não estão incluídas em nenhuma destas parcerias. Quantos aos números de inscritos, não existem dados além dos da rede Rutis, que apontam para 28.250 alunos matriculados, em 2011. No total das universidades seniores, a estimativa de Ricardo Pocinha aponta para 50 mil pessoas a frequentar esta resposta.

 

Há actualmente mais pessoas idosas no mundo em relação ao total da população do que nunca antes, e a proporção continua a aumentar, sendo necessário reconhecer, valorizar e aproveitar as suas capacidades e competências. Importa sobretudo saber quem são os seniores. Etimologicamente, senior é um termo latino, que significava o mais velho e também alguém bastante respeitado. Com efeito, na Roma Antiga, os seniores estavam intimamente relacionados com os membros do Senado (assembleia política, cuja origem do nome provém de senex – «velho»), sem esquecer que senhor, que deriva de senior, se associa historicamente a indivíduos distintos e valorizados socialmente. As próprias expressões idiomáticas estar senhor de alguma coisa e ser senhor de si remetem para a sabedoria, o poder e a independência. Contudo, será que actualmente se verifica esse respeito e até uma certa admiração pelos seniores, pelos mais velhos? Ou será que a conceção «gerontocrática» do passado deu lugar à «juvenilização», isto é, à «hipervalorização» da juventude, desvalorizando-se o papel das gerações mais velhas na sociedade contemporânea? Efectivamente, cada sociedade, num determinado contexto e tempo histórico, conceptualiza os seniores de modo diferente, na medida em que o envelhecimento é influenciado por aspectos biológicos, físicos, psicológicos, sociais, culturais e históricos. O século XX, que amanheceu dominado pelos estudos pedagógicos e foi caracterizado como “o século da criança”, aparece marcado, no seu final, pelos problemas gerontológicos». Uma das principais dificuldades sentidas pelos seniores reside na adaptação a esta nova fase da vida: a aposentação/reforma. Se aposentar deriva de pausare (parar), o próprio termo tem uma conotação negativa, transmitindo a ideia de estagnação ao fim de vários anos de vida activa. Quanto à reforma, no seu sentido mais lato, pode representar o início de um novo ciclo de vida direccionado de uma forma mais optimista. Assim, o envelhecimento não deve ser caracterizado apenas pelas suas consequências negativas mas, pelo contrário, deve ser perspectivado como sinónimo de experiência, sabedoria acumulada ao longo dos anos e que os idosos podem transmitir aos jovens. Abandonar uma profissão não tem necessariamente de significar o fim de uma vida activa, como veiculam os preconceitos e as expectativas sociais relativamente à progressão dos indivíduos ao longo das várias fases da sua vida e ao longo das várias etapas da sua carreira, ou seja, espera-se que um jovem de 30 anos trabalhe (ou procure emprego) activamente, da mesma forma que se revela surpreendente uma pessoa com mais de 70 anos desejar continuar a trabalhar. Estas representações estereotipadas e discriminatórias contra os seniores – o denominado idadismo – conduzem a que eles próprios assimilem essas “normas sociais” e se conformem às expectativas dos outros Não obstante a idade não corresponde realmente a inactividade, pois convenciona-se (erradamente) a existência de uma relação causal entre a idade e a produtividade. A condição de excluídos da vida activa gera a necessidade de os idosos se sentirem úteis, de serem reconhecidos por outras pessoas.

 

Ademais, as instituições que privilegiam o processo educativo destinado àqueles que têm uma idade mais avançada e, consequentemente, uma sabedoria adquirida ao longo da (extensa) vida devem assumir o papel de agente facilitador do desenvolvimento de uma educação permanente, articulando-se continuamente com a sociedade. Estes espaços não impõem restrições (ao nível das habilitações literárias, por exemplo) e disponibilizam várias actividades educativas, culturais, artísticas, desportivas e de lazer, tendo em consideração os interesses, as necessidades, as potencialidades e também as limitações de todas as pessoas que as procuram.

 

 

Miguel Lemos Peixoto (não usa AO)