EDUCAÇÃO

Alunas de Odemira premiadas no 26º Concurso para Jovens Cientistas

12ª Mostra Nacional de Ciência

2018-06-20
Patrícia Silva, Sophie Lenehan e Inês Oliveira receberam dois prémios no 26º Concurso para Jovens Cientistas e na 12ª Mostra Nacional de Ciência

As alunas da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, Patrícia Silva, Sophie Lenehan e Inês Oliveira receberam dois prémios no 26º Concurso para Jovens Cientistas e na 12ª Mostra Nacional de Ciência, que decorreu entre os dias 31 de Maio e 2 de Junho, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto

 

A apresentação do projecto ao júri presente no 26º Concurso para Jovens Cientistas e 12ª Mostra Nacional de Ciência, garantiu às alunas odemirenses, no final dos três dias, o prémio LIPOR (empresa responsável pela gestão, valorização e tratamento dos Resíduos Urbanos do Grande Porto) e também a passagem para a Feira Internacional de Ciência e Engenharia, na cidade de Phoenix, Arizona, Estados Unidos da América, marcada para Maio de 2019.

 

Paula Canha, a professora responsável, refere ao MERCÚRIO que “até lá, as alunas têm a oportunidade de melhorar o seu projecto, sendo que o objectivo é trazer a medalha para Portugal, uma vez que todos os alunos que partiram da escola secundária para esta feira, nunca vieram de lá com as mãos a abanar!”.

 

O projecto apresentado foi o “Tenebrio molitor como biorreator para degradação de polímeros sintéticos”, com o objectivo de contribuir para a possível utilização de larvas do insecto Tenebrio molitor (tenébrio) na reciclagem de resíduos de poliestireno a nível industrial.

 

Este tema partiu da discussão, na escola, acerca de problemas locais, regionais e mundiais. Após uma pesquisa através de artigos recentes, publicados entre 2015 e 2017, as alunas decidiram investigar e desenvolver um projecto que mostrasse o mecanismo destas larvas ao destruírem o esferovite.

 

“Depois da pesquisa, as alunas pegaram nas larvas já existentes na escola e utilizadas para outras experiências. Algumas delas foram recolhidas pelas próprias alunas nas suas localidades. As larvas em questão foram os ‘bichos de armar’, utilizadas para apanhar pássaros. Depois da recolha, foram efectuados estudos para testar a velocidade e eficácia com que degradam o esferovite e feitas algumas experiências”, explica Paula Canha.

 

O 26º Concurso para Jovens Cientistas e a 12ª Mostra Nacional de Ciência decorreram entre os dias 31 de Maio e 2 de Junho, na Alfândega do Porto, promovido pela Fundação da Juventude com a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e com o apoio da Câmara Municipal do Porto.

 

A Mostra envolveu cerca de 260 jovens, coordenados por 64 professores de 41 estabelecimentos de ensino, que deram a conhecer os seus projectos aos visitantes e a um júri especializado que os avaliou. Ainda de Odemira, os alunos Alexandre Reis, Markus Lenehan e Tiago Gamito também da Escola Secundária, participaram com o projecto “Controlo Biológico da Infestante Agrícola Cyperus Rotundus” (sendo seleccionados entre os 100 melhores projectos nacionais).

 

Os melhores projectos em exibição envolveram as categorias de Bioeconomia, Biologia, Ciências da Terra, Ciências do Ambiente, Ciências Sociais, Economia, Engenharias Física, Informática e Ciências da Computação, Matemática e Química.

 

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Projecto “Tenebrio molitor como biorreactor para degradação de polímeros sintéticos”

 

Resumo:

Polímeros sintéticos, como o poliestireno (PS), conhecido como esferovite, constituem um grave problema de poluição ambiental. Estudos científicos recentes provam que larvas do insecto Tenebrio Molitor (tenébrio) são capazes de biodegradar PS através de bactérias existentes no seu sistema digestivo. Este estudo teve como objectivo encontrar as condições óptimas para a degradação de PS por essas larvas. “Investigámos três populações de Tenebrio Molitor  (de diferentes locais) e verificámos que possuem diferente eficiência na biotransformação de PS. Tentámos enriquecer a microbiota intestinal das larvas com biofilmes existentes em PS em decomposição na natureza, mas esse procedimento não teve impacto na eficiência da biodegradação de PS. Colocámos a hipótese de as dimensões de PS influenciarem a taxa de degradação pelas larvas, porém concluímos que as larvas consomem o esferovite com a mesma eficiência, qualquer que seja a dimensão dos resíduos. Continuamos a investigar os factores que podem afectar a eficiência do tenébrio como biorreactor para o esferovite, para que, no futuro, elas sejam utilizadas a nível industrial, em estações de reciclagem de resíduos.”

 

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Destaque também para o mérito da professora responsável e que acompanhará as alunas rumo aos Estados Unidos da América.

 

Ana Paula Neto Ferreiro Canha é licenciada em Biologia pela Universidade de Aveiro, de onde é natural, e professora na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves há mais de uma década. É responsável do Clube de Ciências – BIGEO, onde sempre manifestou a sua capacidade de iniciativa, determinação e entusiasmo, privilegiando o experimentalismo e as saídas de campo.

 

Paula Canha, demonstrou sempre a sua disponibilidade para incentivar e apoiar os projectos dos alunos, implementando o interesse e gosto pela Ciência a todos os níveis de ensino, contribuindo desta forma para o desenvolvimento de uma cultura científica nos jovens do concelho de Odemira.

 

De relembrar todos os projectos dos quais foi coordenadora e que foram distinguidos com Prémios Nacionais e Internacionais, entre eles, o 1º Prémio no Concurso Jovens Cientistas e Investigadores (2002) da Fundação da Juventude com um projecto que representou Portugal na Final Europeia do Concurso Europeu para Jovens Cientistas, na Áustria, outro 1º Prémio no Concurso Jovens Cientistas e Investigadores (2006), com o projecto “O declínio do Montado: o caso do sobreiro e da azinheira”, que representou Portugal na Final do Concurso Europeu para Jovens Cientistas, na Suécia, e na Feira Internacional de Ciência e Engenharia nos EUA, em 2007.

 

Em 2007 viu o seu trabalho reconhecido com o Prémio de Mérito – Inovação, do Prémio Nacional de Professores, organizado pelo Ministério da Educação, em 2008, a Medalha Municipal de Mérito, entre outros. 

 

Tudo isto, fruto da sua excelência pedagógica, pelo seu trabalho de orientação de trabalhos científicos, rigor metodológico e perseverança no trabalho, aliados a uma dimensão puramente humana. 

 

 

Dário Loução (não usa AO)