EDUCAÇÃO

Primeiro jovem de origem nepalesa a concluir estudos na Escola Profissional de Odemira

Os seus projectos passam por trabalhar mais dois ou três meses e depois continuar os estudos em Faro

2018-07-19
Sujan Giri, natural do Nepal, tem 20 anos e está neste momento a concluir o Curso Profissional de Técnico de Restauração, na vertente de Bar e Mesa

A Sujan Giri falta apenas terminar o estágio, para dar por concluído seu percurso formativo na EPO e ficar com a carteira profissional de técnico de restauração, na vertente de bar e mesa.

 

Natural da cidade de Pokhara, no centro do Nepal, vive, há cerca de três anos, com os seus pais e o seu irmão mais novo na Boavista dos Pinheiros.

 

Em conversa com o MERCÚRIO, Sujan Giri conta-nos que os seus pais vieram viver para Portugal primeiro e que ele ficou no Nepal a viver com o tio até surgirem as condições para que se pudesse juntar aos pais. Sujan queria ter ficado no seu país de origem para terminar os estudos, no entanto, o pai mostrou alguma resistência o que acabou por despoletar a sua vinda para Portugal.

 

Após a sua chegada, Sujan não queria trabalhar logo e insistiu em continuar a estudar. Depois de ter convencido o pai dessa decisão, o aluno refere: “fui à internet, pesquisei escolas em Odemira e encontrei a EPO”.

 

Foi recebido pelas docentes Raquel Cavaco e Susana Ferreira que lhe fizeram uma visita guiada e lhe explicaram todo o funcionamento da escola. O aluno reforça a ajuda que as professoras lhe deram, em especial àquela que viria a ser a sua Directora de Turma, Susana Ferreira, docente de inglês.

 

As aulas iniciaram e o aluno admite que estava com medo nos primeiros dias, uma vez que não sabia falar português e não conhecia ninguém. Pouco tempo depois, Sujan refere que a sua adaptação foi rápida pois tinha colegas que conseguiam dialogar com ele na língua inglesa e a turma, em geral, foi receptiva e amistosa, acabando por criar o seu grupo de amigos. As aulas de português foram igualmente importantes e Sujan nunca baixou os braços porque “queria aprender mais”.

 

Em relação ao Curso Profissional de Técnico de Restauração, Sujan diz que sempre gostou da área de Bar embora no Nepal tivesse andado num curso de gestão. Na perspectiva do aluno, não houve desperdício de tempo, pois enquanto estudava no seu país natal, teve a oportunidade de estudar inglês, o que facilitou a sua adaptação e, neste contexto da hotelaria e restauração, surge como uma mais-valia pois, segundo ele, “existem bares em todo o mundo”.

 

Sujan foi superando as dificuldades ao longo do seu percurso escolar. Realizou Formação em Contexto de Trabalho no Vila Galé, em Albufeira e, de momento, encontra-se no Crown Plaza, em Vilamoura, onde perspectiva continuar após conclusão do estágio.

 

Acerca da EPO, o aluno admite que cresceu durante os três anos de curso. Recorda, “quando eu entrei na escola era muito tímido, tinha medo de falar com as pessoas. Hoje estou aqui, falo com toda a gente e já não tenho medo de falar, falo à vontade”. A escola, na sua visão, não serve apenas para tirar um curso; “dá-nos também a oportunidade de ter um conhecimento geral da sociedade, de economia, política e de outras temáticas que nos ajudam ao longo da nossa vida”.

 

A todos os que querem ainda estudar na EPO, Sujan aconselha que vão sem medos pois todas as pessoas da escola são simpáticas e estão sempre dispostas a ajudar. “O ambiente é bom para aprender”. Os estágios, para este aluno, são excelentes pela sua vertente prática. “São bons para nos darem força, conhecer novas pessoas e sítios diferentes”, diz.

 

Aos de origem estrangeira, Sujan aconselha a EPO dizendo que ali se “reconhece as capacidades de todos, independentemente de sermos de onde somos”, os professores são acessíveis e ajudam os alunos em tudo o que precisam.

 

Sujan vai agora terminar o seu estágio e, no futuro, pretende tirar um curso de bar porque é a área pela qual tem mais interesse. Junto a isto, sempre teve o desejo de continuar os estudos e ir para a universidade. Os seus projectos passam por trabalhar mais dois ou três meses e depois seguir o seu sonho, estudar em Faro. Com o seu habitual sorriso no rosto diz-nos que esta foi uma recomendação da sua directora de turma, Professora Susana Ferreira e como tal, após terminar esta fase, pretende visitar a sua futura escola, inscrever-se e entrar, como tanto ambiciona. Boa sorte Sujan!

 

Dário Loução (não usa AO)