E SE ALGUÉM SOUBESSE A RESPOSTA?

Como é o seu Self-Talk?

E quanto aos auto elogios e às auto-afirmações positivas?


Por:Maria Monteiro

2018-07-19
A experiencia de “falar consigo próprio” intriga filósofos, psicólogos e investigadores de várias áreas

Já deu por si a falar consigo próprio? Há alturas especiais para o fazer? O que é que diz a si próprio? Dá instruções a si próprio quando tem uma tarefa a fazer e precisa de um guião mental? Encoraja-se numa situação difícil ou que gera ansiedade? Fala consigo acerca do que os outros podem estar a pensar de si numa certa situação? Ralha consigo próprio ou elogia-se? Imagina o que é que outra pessoa lhe vai responder e o que é que você gostaria de lhe dizer? Link 

 

A experiencia de “falar consigo próprio” intriga filósofos, psicólogos e investigadores de várias áreas. Há vários termos usados para fazer referência a esta experiência subjectiva de falar consigo próprio, tratando-se por Tu como se de outra pessoa se tratasse! Monólogo ou diálogo interno, discurso privado, discurso interno, auto discurso ou auto afirmação são alguns dos termos usados. Caracteriza-se por falar em voz alta para si mesmo sendo esta uma “fala privada” e também falar silenciosamente para si mesmo sendo neste caso uma “fala interna”.

 

E em que situações ou circunstâncias temos necessidade de iniciar este discurso interno? Estudos mostram que o auto discurso acontece mais frequentemente em situações em que temos autonomia em tomar decisões e na acção. Nestes casos, este tipo de discurso é utilizado como forma de exercer autocontrolo, como se estivéssemos a afinar por dentro aquilo que queremos fazer ou dizer. É como se estivéssemos a fazer uma revisão e um treino antes do acontecimento. Quando os acontecimentos e a acção dependem de factores externos não utilizamos este tipo discurso privado pois já sabemos que estão fora do nosso controlo. Outros estudos mostram que as situações negativas aumentam a quantidade de diálogo interno. É nestas situações que damos por nós a rever o que dissemos numa conversa ou reunião, e o que gostaríamos de ter dito.

 

Estes estudos sobre este tema verificaram que a conversa interna influência as nossas emoções, o nosso desempenho tanto intelectual como desportivo e que a conversa interna pode ser uma boa ferramenta de auto-regulação. Link

 

Esta estruturação mental que fazemos em conversa interna, de mim para mim, nasce principalmente em situações de avaliação social, quando temos necessidade de auto-reforço e autocrítica e, em situações em que há muita informação com diferentes contornos fazemo-lo em modo de autogestão. 

 

E quanto aos auto elogios e às auto-afirmações positivas?

 

Wood, Pernnovic & Lee, 2009 alertam no seu artigo, “acredita-se amplamente que as “Auto-afirmações positivas” aumentam o humor e a auto-estima, ainda que sua eficácia não tenha sido demonstrada. Estes autores propõem que, ao contrário da crença popular, as auto-afirmações positivas podem ser inúteis para algumas pessoas, e podem beneficiar outras pessoas.” E explicam, “Assim, as auto-afirmações positivas podem ter o potencial de fazer com que uma pessoa se sinta pior se essa auto-afirmações positiva estiverem fora da latitude de aceitação, tornando-se assim auto-discordante e, desse modo, realçam os fracassos em cumprir os critérios desejados e despertar a autocrítica. As auto-afirmações positivas são especialmente propensas a “sair pela culatra” das pessoas que delas querem beneficiar: as pessoas com baixa auto-estima. Essas pessoas, por definição, vêem-se a si mesmas como mais incompetentes no alcance dos padrões em vários domínios do que as pessoas com alta auto-estima.” Link

 

Maria Monteiro