Fora de linha

À procura de um sorriso

Projeto empreendedor de medicina dentária

2018-07-19
Eduardo Guerreiro é um dos jovens dentistas do concelho de Odemira, que escolheu a região para abrir a sua clínica. Atualmente, também dá aulas no ensino superior e participa em vários projetos de associativismo

O Alentejo sempre esteve presente na vida de Eduardo Guerreiro. Viveu em Colos durante algum tempo, mas completou a escolaridade em Odemira. Desde muito cedo que mostrou ser um jovem curioso, com vontade de aproveitar as oportunidades e acima de tudo, aprender. Desde pequeno que ambicionava ser arquiteto e cientista, mas só mais tarde percebeu que iria ser dentista.

 

Sem esperar o que ia suceder, o dentista partiu os dois dentes da frente em 2004. Estava no 10.º ano, em plena adolescência e como tal, recorda que queria estar isolado e não sair de casa. Nesse momento, apercebeu-se que só seria alguém realizado se pudesse recuperar o sorriso das pessoas.

 

No que respeita ao associativismo, tudo começou durante o secundário, num clube de ciência. Com o avançar dos trabalhos de investigação, conheceu a Associação Juvenil de Ciência e em 2007 foi convidado para fazer parte da Direção Nacional da associação, com a qual ainda mantém contacto. Eduardo Guerreiro, entrou primeiro no curso de Prótese Dentária no Instituto Universitário Egas Moniz e logo que foi possível, mudou para Medicina Dentária. Esteve seis anos na faculdade, dos quais quatro foram dedicados, novamente ao associativismo. Foi representante dos dois cursos em que passou, delegado de ano, colaborador na área desportiva da Associação do Instituto e apenas em Medicina Dentária, foi colaborador da área pedagógica e chefe desse departamento. Por conseguinte, no ano a seguir, foi eleito tesoureiro da Associação de Estudantes e depois, presidente.

 

Para além de todas estas participações, decidiu criar com amigos de outras faculdades do país, a Associação Nacional de Estudantes de Medicina Dentária. Desta forma, organizaram um Encontro Nacional de Estudantes de Medicina Dentária, com 300 pessoas em Albufeira. Os dois últimos anos do curso começaram a tornar-se mais exigentes, tendo de desenvolver competências na parte clínica e assim sendo, o dentista decidiu sair da Associação de Estudantes e tornar-se Vice-Presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina Dentária. Após terminar o curso, decidiu voltar àquele que considera ser o local onde tem as suas pessoas, o Alentejo. Trabalhou em várias clínicas, mas em 2017 decidiu criar o projeto, “É-Du-Dente”. Neste momento conta com seis elementos e afirma que a concorrência é necessária para desenvolver a região, tornando-se um estímulo para criar melhores ofertas e condições para os pacientes. Costuma dizer à equipa que “tudo tem de importar, desde a qualidade do raio X, aos cheiros, às imagens e sons”. 

 

Atualmente, aos 29 anos, tenta conciliar os seus passatempos preferidos, de que são exemplos a fotografia e o desporto, com as aulas que dá no Instituto Universitário Egas Moniz. Integra o departamento de Triagem e Urgência, do Mestrado Integrado em Medicina Dentária, tendo futuros profissionais do 4.º e 5.º ano sob a sua responsabilidade. Tem de supervisionar o trabalho de cada um e ajudá-los a pensar nas mais diferentes formas de tratar um dente. Ainda na mesma universidade, leciona Prostodontia, uma unidade curricular do curso de formação técnica em assistentes dentárias. 

 

Por norma, o seu dia de trabalho começa às 9:00h da manhã e termina às 22:00h, mas apesar de estar sempre muito ocupado, consegue entrar na vida das pessoas e sem querer, ser psicólogo. Existem casos que já acompanha há cerca de cinco anos, sendo cada um destes diferentes. Para si, “psicólogos somos todos nós, todos os que não se importam de partilhar o que mais precioso temos, o nosso tempo com as outras pessoas”. 

 

Chegam à clínica pacientes de várias faixas etárias. Cada um tem uma determinada história e autoestima, exigindo que o profissional de saúde tenha de estar preparado para saber lidar tanto com a dor física como com a emocional. De acordo com o Eduardo Guerreiro, “a pessoa não é só a boca, não é só o dente, é uma pessoa na globalidade”. 

 

Revelou ter muitas ideias para concretizar no concelho, porque quer conhecer mais a realidade e as problemáticas de cada freguesia.  Na sua perspetiva, há que continuar a “educar para a saúde” no sentido de apostar em melhores tratamentos e ainda ações de formação.

 

 

Fililpa Murta

Estudante de Ciências da Comunicação da UAlg