SOCIEDADE

Soraia Valério, antiga aluna de Restauração da Escola Profissional de Odemira (EPO)

De estudante a empresária de dois hostels

2018-10-15
O MERCÚRIO foi ao encontro da ex-aluna para falar um pouco sobre o seu percurso escolar e profissional

Soraia Valério, natural de São Teotónio, foi aluna do Curso Profissional de Restauração (vertente Restaurante e Bar), na Escola Profissional de Odemira, no triénio 2006-2009. Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas e Mestre em Turismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é hoje proprietária dos hostels Carpe Diem, em São Teotónio e Aljezur.

 

A ex-aluna recorda que na altura foi uma escolha difícil por ter sido numa idade em que existem muitas dúvidas: “com 14 anos ainda não fazia ideia do que queria ser. Queria ir para a faculdade e achava que a escola secundária me poderia preparar melhor, só que na EPO, tinha a vantagem de ficar com um curso. No fim, segui o conselho dos meus pais, fui para EPO e comprometi-me a seguir os estudos na faculdade.”

 

Em 2006, aquando da sua entrada na EPO, só existiam três Cursos Profissionais: Electromecânica, Contabilidade e Restauração. Soraia Valério recorda que escolheu Restauração porque “era o curso que mais se aproximava das áreas que me interessavam na altura”. A ex-aluna afirma que foi uma etapa para chegar ao seu objectivo.

 

Logo após a conclusão do seu Curso Profissional, Soraia Valério ingressou directamente na Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

O MERCÚRIO questionou a ex-aluna sobre como estabelece a ligação entre a sua área de estudos na EPO  e a faculdade e eis o que respondeu: “a EPO tem uma vertente prática muito boa e a faculdade veio reforçar a vertente teórica do meu curriculum. Apesar de a Licenciatura ter um impacto mais significativo naquilo que faço hoje em dia, a EPO muniu-me de ferramentas que só podem ser adquiridas em contexto de trabalho. É um tipo de preparação diferente.”

 

Relativamente à sua entrada na faculdade, Soraia Valério confessa que teve de ser bastante autodidacta para entrar na faculdade, apesar do apoio dos professores. “Preparei-me muito para os exames teóricos mas a parte prática do curso da EPO (estágios inclusive) incutem uma responsabilidade diferente, obriga-nos a uma postura mais profissional. Quando entramos no mercado de trabalho aos 14 anos, a frequentar um curso profissional, temos desde cedo mais facilidade em trabalhar sob pressão e em gerir conflitos, desenvolvemos faculdades importantes, não só em contexto profissional mas também social. Para mim foi uma mais-valia na faculdade e no que faço agora”.

 

A EPO marcou a vida desta ex-aluna “por ser uma escola com um ambiente bastante multicultural e diversificado”. Na EPO, teve a oportunidade de conhecer “pessoas fantásticas de backround muito diferente”, aprendeu a ser tolerante, a alargar os seus horizontes, mas acima de tudo, recorda, “nunca devemos deixar que nos limitem, as nossas capacidades são inúmeras e as possibilidades infinitas”.

 

Em relação ao curso e às oportunidades de trabalho, Soraia Valério chama a atenção para que se dê tudo desde o início do curso, pois “existem milhares de pessoas, com as mesmas capacidades a esforçarem-se para serem as melhores e as vagas são limitadas”. Quanto aos estágios, teve a oportunidade de realizar a sua formação em contexto de trabalho no grupo Varanda Hotéis e, posteriormente, no Grupo Tivoli.

 

Soraia Valério afirma que nem sempre se tem o emprego de sonho à nossa espera assim que se acaba o curso, mas deixa um conselho sobre as oportunidades da EPO: “internacionalizem-se! Lá fora está um mundo de oportunidades, não tenham medo de sair do ninho” e ainda sobre o ingresso no ensino superior: “terão que se dedicar, mas não tenham dúvidas de que vale a pena, o esforço é recompensado e o mérito, ninguém vos tira!”.

 

 

Sobre os Carpe Diem

 

Durante a frequência do seu Mestrado em Turismo e Comunicação, Soraia Valério realizou um estágio numa ONG (Organização Não Governamental) onde se desenvolvia um projecto que visava a construção de um hostel social. Foi neste projecto que viu uma oportunidade de regressar às suas origens, tendo a Costa Vicentina grande potencial turístico para a abertura de um hostel. “Até aí não estava muito familiarizada com o conceito, então decidi começar a ficar em hostels quando viajava com amigos e foram sempre óptimas experiências”, recorda.

 

Aberto desde 20 de Março de 2016, o Hostel Carp Diem foi um dos primeiros a emergir no concelho de Odemira. Actualmente já conta com outra unidade, no concelho vizinho, em Aljezur, inaugurado em Junho de 2018.

 

Em relação ao nome, “Carpe Diem” (aproveite o momento), Soraia Valério comenta: “sou de letras, identifico-me bastante com a filosofia do Ricardo Reis e acho que tem tudo a ver com o ambiente de um hostel!”

 

O Carpe Diem de São Teotónio, localizado na Rua Celso Jacinto Caeiros, foi a casa onde a proprietária cresceu. Após a mudança da família a casa ficou fechada vários anos. Soraia Valério decidiu dar-lhe uma nova vida. Quanto ao de Aljezur, explica que esta “é uma aquisição recente da família” e, tendo em conta a oportunidade juntamente ao seu gosto pessoal pela vila, pensou “porque não arriscar?”.

 

Comparando os hostels das duas vilas, Soraia Valério diz-nos que Aljezur tem “uma aderência esmagadora” comparativamente a São Teotónio, por estar mais desenvolvido em termos turísticos. Soraia revela ainda que “o turista que vem a Aljezur, reserva logo para o ano seguinte, infelizmente em São Teotónio não é bem assim”.

 

Tendo os dois hostels as mesmas características, este fenómeno deve-se principalmente à localização. Quando questionados, os hóspedes identificam “alguns problemas padrão” e a maioria indica a carência de transportes públicos como um dos principais problemas.

 

Em ambas as habitações existem vários tipos de quartos: duplos, familiares e para grandes grupos. Contam com áreas comuns que fazem parte da tipologia do hostel - salas de convívio, espaços exteriores, balneários e cozinhas.

 

“Os hostels têm uma atmosfera acolhedora. Tentamos que se pareçam como uma casa e não como um alojamento. A meio de uma grande viagem, os hóspedes adoram encontrar um ambiente mais familiar, um lugar onde podem realmente descansar e recarregar baterias”, confessa.

 

Neste mês de Agosto Soraia Valério tem 80% de ocupação em ambos os hostels e, no mês de Setembro, 50% em Aljezur e 30% em São Teotónio. Os preços em época alta variam entre os 20 e os 80 euros e na época baixa, entre os 15 e os 65 euros, dependendo da tipologia de quarto.

 

Em 2017, o Hostel Carpe Diem registou uma pontuação final de 9 em 10 no Booking.com e encontra-se no primeiro lugar no ranking de pesquisas de Aljezur.

 

por Dário Loução (não usa AO)