FORA DE LINHA

Serviço Voluntário Europeu

“Odemira na Europa”, projeto desenvolvido pelo município

2018-10-15
Desde 2015 que o concelho de Odemira recebe voluntários de vários países. Para além do SVE de um ano, o projeto também apoia a saída dos jovens da região, em períodos de até dois meses

A sociedade dos dias de hoje costuma não ter tempo para mudar a sua rotina. O trabalho torna-se repetitivo e para alguns uma obsessão.

 

No entanto, existem várias possibilidades de contornar esta situação. Atualmente existem em Portugal cerca de 20 cidades com organizações e municípios acreditados a nível des projetos de voluntariado Erasmus+.

 

Odemira é um dos concelhos que tem apostado na criação de oportunidades. Na primeira edição do Serviço Voluntário Europeu (SVE) em 2015, o projeto “Odemira na Europa” contou com 6 voluntários oriundos da Espanha, Itália, Polónia, Alemanha e Estónia. Estiveram na região, pelo período aproximado de um ano. Ainda no contexto deste projeto enviaram 6 jovens do concelho, durante um mês, para a Estónia, Espanha e Suécia, no verão de 2016.

 

Porém, na segunda edição com início em 2017, o projeto contou com mais 6 voluntários na região que vão terminar o seu projeto no final de outubro deste ano. O grupo é proveniente de Espanha, Itália e Hungria. Em relação ao envio de mais jovens do concelho, estiveram dois pela Eslovénia desde julho e mais dois voluntários na Hungria, que permaneceram até ao final de agosto.

 

Tamara Atienzar, tem 24 anos, estudou jornalismo em Barcelona e é natural de Castellón (Espanha). É uma das voluntárias que vai estar em Odemira até ao final de outubro, a cumprir o SVE no setor da juventude do município. Após estar a trabalhar num jornal e numa agência de imprensa, entendeu que deveria dar outro rumo à sua vida pessoal e profissional.

 

Através de uma amiga passou a integrar a organização “Servei Civil Internacional”, que lhe apresentou uma série de propostas. Ao princípio confessa ter ficado um pouco assustada por saber que ia viver num local pequeno, mas depois encontrou em Odemira a possibilidade de concretizar vários projetos. Para além de fazer trabalho de comunicação com os jovens e vídeos da experiência dos voluntários, também esteve envolvida no surgimento da RIO – Rádio Internacional de Odemira, um projeto que abraçou e ao qual ainda se mantém ligada.

 

Por outro lado, Jose Donado de 23 anos, veio da Galiza com vontade de experimentar a vida do campo e voltar a ter ligação com a natureza. Estudou matemática em Santiago de Compostela, mas foi durante a experiência de Erasmus na Polónia, que teve curiosidade de fazer o SVE. Começou por procurar mais sobre este projeto, com a ideia de vir para Portugal, permanecendo em São Luís até ao final de outubro.

 

    Inicialmente, aprendeu várias técnicas agrícolas em quintas parceiras do GAIA Alentejo em Portugal e mais tarde iniciou o seu projeto pessoal, a criação de uma rede de cooperação na comunidade. Para tal, desenvolveu inquéritos e organizou no início de outubro um evento em São Luís, que juntou várias pessoas do concelho, no sentido de realizarem projetos em conjunto e adequados às necessidades locais.

 

Nesta sequência, o GAIA Alentejo (Grupo de Ação e Intervenção Ambiental - Alentejo) assume uma dupla função nos projetos de SVE coordenados pelo Município de Odemira. Segundo a coordenadora Sara Serrão, o conhecimento adquirido na área da mobilidade internacional é colocado ao serviço, apoiando na conceção, preparação, implementação e avaliação das ideias de cada voluntário.

 

Estar longe da família, sair da zona de conforto e comunicar com pessoas diferentes são alguns dos principais desafios. De acordo com a voluntária Tamara Atienzer, este é ainda um projeto recente que tem sido desenvolvido com sucesso, mas que tem de ser mais conhecido. Apenas, por isso, a maior parte dos jovens do concelho não está a par destas possibilidades.

 

A coordenadora do GAIA Alentejo afirma que “faltam referentes”. É importante saber da experiência de outras pessoas, ter uma ideia do que lhes aconteceu e do que fizeram durante o projeto. Sara Serrão refere ainda que “falta identidade europeia” e que existe a necessidade de “dar mais crédito e credibilidade à Educação Não Formal”, mostrar como as vivências internacionais são valorizadas no mercado de trabalho.

 

Entretanto o concelho vai receber novos voluntários de várias partes do mundo. Ao todo são sete e estão a chegar desde a Itália, França, Letónia e Turquia. O próximo ano também promete muitas experiências para os jovens que vão voltar a sair de Portugal, neste caso, rumo à Eslovénia, França e Espanha.

 

por Filipa Murta