AMBIENTE

Reutilização criativa de têxteis usados Escalabardo nasce em S. Luís

O design ao serviço de uma iniciativa ambiental, social e comunitária.

2019-02-20
A marca pretende dar nova vida a têxteis que iriam para o lixo num conceito inovador e com design diferenciador, um projeto de economia circular onde os resíduos se tornam matéria-prima.

No passado dia 19 de fevereiro, a Junta de Freguesia de São Luís, apresentou a marca Escalabardo, uma iniciativa ambiental, social e comunitária para a criação e venda de produtos têxteis, resultado de um trabalho artístico de transformação de roupas e têxteis usados.

 

Esta intervenção constitui-se como uma resposta local e inovadora de economia circular a um problema local e global: os têxteis usados deitados no lixo ou colocados em circuitos que não conseguem concretizar a sua reutilização ou reciclagem.

 

Com esta intervenção, o Presidente da Junta de Freguesia, Fernando Parreira, acredita “contribuir para um caminho de sustentabilidade.”

 

A Esclabardo surge da constatação do executivo de S. Luís da importância de estar desperto para a intervenção na área da sensibilização ambiental. “Pareceu-nos que fazia muito sentido que tudo o que é o desperdício ao nível dos têxteis pudesse ser afrontado numa lógica de um exemplo local para um problema global”.

 

A ideia de um animal enquanto marca, o “Escalabardo”, como é conhecido na região - o seu nome comum é Saca-Rabos (Herpestes ichneumon) - surge, segundo Ana Baleia, “da nossa vontade de haver um animal associado à marca, um animal que habitasse nesta zona do país, pensámos no saca-rabos por ser muito comum nesta região, viver em grupo, em comunhão com a natureza, normalmente caminham juntos e em fila, o que nos leva a uma ideia de cadeia, sequência ou corrente, remetendo para o conceito de economia circular”. Assim surgiu logo a criação de um dos produtos vendáveis: uma espécie de mascote, um pequeno Escalabardo decorativo, feito com os tecidos aproveitados das roupas e alguns pontos bordados.

 

Para além da mascote, a marca conta ainda com mais quatro produtos: o Saco, o Porta-chaves, o Banco e as Almofadas. “Estes produtos são o nosso primeiro teste. Outros poderão surgir com o avançar do tempo”, informa Ana... “temos ainda um tear no nosso atelier que permite a criação de produtos de tecelagem”.

 

“O grande desafio é tornar a Escalabardo sustentável, economicamente falando”, lembra Teresa Saraiva. A equipa acredita no interesse do projeto e dos produtos mas “há que arranjar mecanismos que permitam que o projeto continue”.

 

Os produtos Escalabardo estão à venda na Oficina/atelier, ao lado da Junta de Freguesia de S. Luís, e em breve também na loja da CACO – Artesanato de Odemira, na vila de Odemira.

 

Este projeto tem vindo a ser desenvolvido desde o último semestre de 2018, com a colaboração de Teresa Saraiva, da empresa de consultoria ambiental Ecosativa; o design dos produtos, direção criativa e coordenação de atelier é da designer de moda Ana Baleia; a identidade gráfica do designer João Veiga e conta com a colaboração permanente da Flora Dolores na execução das peças.

 

A Escalabardo teve o apoio financeiro, de cerca de 19 mil euros, do Programa JUNTAr do Fundo Ambiental, que apoia soluções locais de economia circular promovidos pelas Juntas de Freguesia e da Junta de Freguesia de S. Luís, no valor de cerca de 2 mil euros.

 

 

Pedro Pinto Leite