FUNAMBULISMO

TRAVERSÉE, a sustentável leveza de caminhar em equilíbrio sobre o ar

A Páscoa é uma quadra que pede elevação

2019-04-10
Em Odeceixe junto à Praia da Amoreira

Em pleno rebentar da primavera, passando por deliciosos folares na Feira que lhe é dedicada, em Odeceixe e na fulgurante paisagem da Costa Vicentina, junto à Praia da Amoreira - em Aljezur,mil olhos vão erguer-se na vertical enquanto uma mulher caminha onde muito poucos arriscam andar, atravessando um cabo de cerca de 150 metros de comprimento, colocado a quase 50 metros de altura, enquanto uma orquestracriada especialmente para o efeito - composta por músicos da companhia Basinga, bem como músicos amadores e profissionais da região do Algarve e Costa Vicentina - lhe confere uma rede invisível ou um "chão sonoro".

 

Tatiana-Mosio Bongonga é esta mulher, uma das poucas no mundo a atuar a esta altitude. Francesa, 34 anos, apaixonada pela arte do funambulismo desde que pisou pela primeira vez o fio suspenso, aos 7 / 8 anos de idade. Em conjunto com a companhia Basinga, que co-fundou em 2014 após ter passado por várias companhias de circo, já atravessou os céus de variadíssimos lugares por todo o mundo incluindo, por exemplo, Montmartre, em direção à irónica Basílica do Sacré-Coeur, no passado ano de 2018.

 

Traversée,a última criação da companhia Basinga (FR), é um espetáculo extraordinário, que evoca um notável grau de destreza e desafia os limites do corpo mas se revela muito mais do que isso. É, afinal e sobretudo, sobre as nossas ligações, ao céu e à terra, a si-mesmo e ao outro. Sobre o enraizamento que, segundo Tatiana, é a justa medida da nossa elevação.

 

O cabo suspenso interpela-nos sobre o risco inerente à disciplina, a busca simbólica por equilíbrio no seu carácter pessoal e universal, apelando-nos a refletir sobre questões essenciais: os elos que nos unem uns aos outros, por exemplo. Ou os fios que atravessamos nas nossas vidas, no intuito de seguir em frente.

 

Assim, pode dizer-se que mais do que um feito individual impressionante, este espetáculo pretende expressar uma homenagem à cumplicidade, às relações, à interdependência e ao que, parecendo impossível, se torna possível pela força do coletivo e pela via da partilha. Por isso mesmo, incorpora um importante cariz participativo, intimamente entrelaçado com o lugar e as comunidades onde acontece, que se traduz nas diversas vertentes artísticas que integra: a técnica, a música, os figurinos...

 

Tal como os diferentes ateliers abertos - de funambulismo, música, figurinos, cavalettistes- (a decorrer entre 8 e 20 Abril 2019, em Aljezur e Monchique),contribuem diretamente para a concretização do espetáculo, também o projeto em si encontra âncora em duas dimensões: uma dimensão monumental e uma dimensão mais íntima dos encontros.

 

No dia 21 Abril,domingo de Páscoa, junto à Praia da Amoreira, Aljezur, pelas 16h30, um evento único,  um evento de funambulismo e música ao vivo na paisagem, para toda a família.

 

"Um trabalho emocionante e exigente"Lena Martinell (Les Trois Coups)

 

No céu, como na terra: 'TRAVERSÉE', a sustentável leveza de caminhar em equilíbrio, sobre o ar.

 

COM: Tatiana-Mosio Bongonga, Djeyla Roz, Pascale Valenta, Adrien Amey, Donjulio de la Vega

OLHAR COREOGRÁFICO:Anna Rodriguez

FIGURINOS: Solenne Capmas

OLHAR EXTERIOR: Deborah Benveniste

TÉCNICA: Jan Naets, Gael Honneger, Rémy Legeay, Simon Pourque, Maxime Leneyle

OLHAR FOTOGRÁFICO: Valérie Frossard

PRODUÇÃO: Marie Lacoux, Manuel Rascalou, Camille Foucher, Anaïs Longiéras

Cie Basinga / Association L'Oktopus - Sauve – FR

CO-PRODUÇÕES | ACOLHIMENTO EM RESIDÊNCIAS: Eclats de Rue - Caen / La Cascade – PNC Bourg St Andéol / Le Carré Magique – PNC Bretagne / Espace Périphérique La Villette – Ville de Paris / Festival Les 7 Collines – St Etienne / 2 Pôles Cirque en Normandie : La Brèche à Cherbourg – Cirque-Théâtre d’Elbeuf / Lieux publics – CNAR Marseille / Atelier 231 – CNAR Sotteville Les Rouen / CIRCA - PNC Auch / Furies – PNC en préfiguration Chalons en Champagne / CREAC – PNC Marseille / Awaln’art – Maroc / Ville de Simorre

APOIOS: Le Ministère de la Culture: DGCA - création cirque  & DRAC Occitanie aide au projet cirque / Le Conseil régional Occitanie / Le Conseil départemental du Gard / Les Monuments Nationaux / Centre National des Arts du Cirque

 

A companhia é apoiada no conjunto dos seus projetos pela Fundação BNP Paribas.

 

 

TRAVERSÉE

Cie. Basinga - Tatiana-Mosio Bongonga (FR)

dom, 21 Abril - 16h30

ALJEZUR - junto PRAIA AMOREIRA

google maps: https://goo.gl/maps/ME4xjNLB42U2

 

BILHETES & INFOS

Preço único: 5€ (a partir dos 6 anos)

Bilhetes disponíveis online na BOL e pontos de venda aderentes (Worten, Fnac, CTT, ...), na Casa Lavrar o Mar - Rua João Dias Mendes, em Aljezur e Biblioteca Municipal de Monchique.

A bilheteira local [no local e dia do espe táculo] abre 1h antes do início do espectáculo.

 

Recinto: ao ar livre, sem lugares marcados. Compreende um pequeno percurso a pé.

 

Duração: 1h30 aproximadamente

Espectáculo classificado para maiores de 3 anos.

Contactos gerais público:  info@lavraromar.pt | 913 943 034

 

 

Logo a seguir, entre 29 Abril e 5 Maio, chegará ‘LES VOYAGES’, da companhia francesa XYcoletivo de vinte acrobatas que apresentam uma proposta para o espaço público, sob a forma de ‘arquitecturas sensíveis’, na qual se desafiam a desbravar e reinterpretar o território: suas identidades, memórias, patrimónios e histórias, convidando todos os públicos, mesmo os mais desprevenidos, a experimentar uma ligeira distorção do real. Encontros solidários, poéticos e emocionantes, que certamente não deixarão ninguém indiferente.

 

4 Maio- Aljezur - Porto da Arrifana - final da tarde (hora exacta a confirmar)

5 Maio - Monchique - Largo dos Chorões - 16h30

Entrada Livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O espetáculo "Traversée" e os ateliers abertos neste âmbito inserem-se no segundo ciclo do LAVRAR O MAR – as artes no alto da serra e na costa vicentina. Diversa, regular e em movimento contrário à sazonalidade, a programação deste projeto funda-se nos elementos naturais distintivos da região e na sua cultura humana, imaterial e ancestral, colocando em diálogo as artes performativas contemporâneas com o conhecimento local.

 

Toma como paisagem as serras, as praias e as vilas, transformadas em cenários ficcionais para espetáculos de dança, música, teatro, performance, imagem e projetos multidisciplinares, que se apresentam em locais não convencionais.

 

LAVRAR O MAR integra o programa 365 Algarvee tem o financiamento da República Portuguesa - Secretaria de Estado da Cultura e Secretaria de Estado do Turismo; Turismo de Portugal e Região de Turismo do Algarve, da União Europeia, através do Cresc Algarve 2020, do Ministério da Cultura - Direção Geral das Artes, bem como dos Municípios de Aljezur e Monchique.Um projeto Cosa Nostra (Madalena Victorino e Giacomo Scalisi).