HEPATITE

Um em cada três portugueses terá fígado gordo, mas não sabe

28 de julho | Dia Mundial das Hepatites

2019-07-17
Dois terços das pessoas com diabetes apresentam fígado gordo

“Cerca de dois terços das pessoas com diabetes tipo 2 em Portugal apresentam fígado gordo, uma condição que compromete em grande escala a eficácia do tratamento da diabetes”, explica Paula Macedo, investigadora da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e professora da NOVA Medical School.

 

O mais recente estudo nacional da APDP nesta área, referente a 2018, integrou 700 pessoas com diabetes, avaliadas pela tecnologia mais moderna (elastografia), e concluiu que 2/3 dessas pessoas apresentava igualmente fígado gordo. Dados de um estudo nacional também realizado pela APDP em 2014 apontavam que mesmo em pessoas sem diabetes nem pré-diabetes, 1/3 dos indivíduos apresentavam fígado gordo.

 

“Além de contribuir para agravar as complicações de saúde associadas à diabetes, o fígado gordo é um fator acelerador da doença em pessoas com pré-diabetes e mesmo em pessoas saudáveis. Por isso, é muito importante estarmos alerta para esta condição, ainda subdiagnosticada e subvalorizada”, acrescenta Rogério Ribeiro, investigador da APDP e docente da Universidade de Aveiro. “Entre as pessoas com hepatite “gorda” assiste-se também ao forte surgimento da diabetes, afetando 1 em cada 3 dessas pessoas, segundo dados internacionais”, acrescenta o investigador.

 

Dados dos EUA apontam para que as pessoas com fígado gordo e diabetes tenham entre 3 a 4 vezes maior risco de desenvolver cirrose ou carcinoma hepático, face às pessoas com fígado gordo e sem diabetes.

 

A propósito do Dia Mundial das Hepatites, que se assinala a 28 de julho, o presidente da APDP, José Manuel Boavida, recorda a importância “do diagnóstico precoce e do apoio estruturado à luta contra o excesso calórico alimentar e a obesidade. Em vez de se esperar por novos fármacos há que reforçar a capacidade de mudança de hábitos das pessoas com diabetes identificadas com fígado gordo”.

 

A APDP tem apostado em investigação em conjunto com outras instituições europeias na procura de ferramentas de identificação e tratamento da doença, dada a dificuldade de diagnóstico e a inexistência de um tratamento eficaz. O fígado gordo pode evoluir para fibrose, cirrose ou até cancro hepático.

 

 

A APDP, fundada em 1926, é a associação de pessoas com diabetes mais antiga do mundo. Com cerca de 15 mil associados, desenvolve a sua atividade na luta contra a diabetes e no apoio à pessoa com esta doença, tendo sempre como meta a integração das pessoas com diabetes enquanto elementos ativos na sociedade. A APDP tem sido pioneira na prevenção, na educação e no acompanhamento personalizado. Conhecer melhor a doença e explorar novas formas de tratamento são os seus principais objetivos, a par da criação de estruturas capazes de dar resposta aos diversos problemas que envolvem a diabetes.

www.apdp.pt