Estar “bem” informado dá trabalho A associação ZERO errou – a quem importa saber?

A recente Resolução do Conselho de Ministros (RCM) que vem reforçar o regulamento, dentro do Perímetro de Rega do Mira, das culturas protegidas e que prevê instalações de alojamento temporário amovível dentro das explorações agrícolas, tem provocado nalguns setores da comunidade reações exaltadas contraditórias ao texto do dito documento.

São reações que partem desde figuras públicas e comentadores a instituições reconhecidas, fazendo-se ecoar no mais inocente e desprevenido facebookiano.

A indignação maior teve origem na informação dada pela associação ZERO, já desmentida pela mesma ontem, que acusava a RCM publicada a 24 de outubro, de permitir o aumento de agricultura sob cobertura (vulgo plástico), e onde a comunicação social se baseou para difundir o erro, espalhando-o como um emaranhado de pequenos ramos e folhas no céu, inundando as redes sociais de raiva.

Se uma organização credível (de tal forma que os media não hesitaram em conferir a veracidade da declaração) que se propõe “contribuir para a difusão do conhecimento científico” e com “uma participação pró-ativa na defesa dos valores da sustentabilidade”, valores que a todos dizem respeito, erra desta forma, isto é, cometendo o lapso no rigor que a difusão do conhecimento exige, imagine-se o comum cidadão cujas fontes de informação se alicerçam na comunicação social que julga minimamente credível (hoje já nem tanto).

Mas o erro está feito e irá continuar a ser partilhado e acreditado. Todo ele. Quer a indignação da ZERO quer as notícias publicadas.

E agora não se vê, pelo menos até ao momento em que este artigo é publicado, o mesmo número de partilhas do reconhecimento de erro por parte da ZERO. Deverá ser residual.

O erro está feito e irá continuar a ser partilhado e acreditado. Todo ele

As mesmas vozes que tão ferozmente protestaram contra o aumento de agricultura sob cobertura estão agora caladas e não aclamam a sua efetiva redução.

Se a ZERO teve o cuidado e a modéstia de admitir que errou, outros não se darão a esse trabalho, muitos não chegarão a ter conhecimento daquele equivoco e, para alguns, a verdade nem interessa.

É tarefa árdua passar a verdade quando o recetor é constantemente bombardeado por informação que vai em sentido contrário, movida, ou não, por interesses instalados, quer políticos quer sociais.

Muitas vezes é difícil, mesmo ao cidadão mais atento, discernir o verdadeiro do falso. Mas é possível. Dá trabalho. É preciso procurar a montante, ler e ouvir com atenção, escrutinar cada parágrafo, interpretar corretamente cada linha, tudo isso sem juízos de valor.

ELO: ASSOCIAÇÃO ZERO


ETHOS | do grego éthos –ous, costume, hábito
1. Conjunto dos costumes e práticas característicos de um povo em determinada época ou região.
2. Conjunto de características ou valores de determinado grupo ou movimento.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

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Produtor cultural de vocação e profissão. O jornalismo vem a reboque do seu sentido de justiça apurado e pela procura da verdade. O Amor e o Humor fazem parte da sua vida. Escreve de acordo com o AO 1990.

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