14ª edição do Terras sem Sombra – última paragem em Santiago do Cacém Espetáculo “Fragmentos Vitais: Kurtág e a sua Circunstância” terá lugar na Igreja Matriz de Santiago Maior às 21h30

O Festival Terras sem Sombra chega ao fim da sua 14ª edição e convida toda a população a uma visita guiada à Quinta de São João, no dia 30 de Junho (sábado), antes do concerto e uma actividade de salvaguarda da biodiversidade na Herdade do Loreto no dia seguinte

Sobre a edição deste ano, José António Falcão, em declarações ao MERCÚRIO resume-a da seguinte forma: “O Terras sem Sombra caracteriza-se, em 2018, pelo elevado nível artístico e pelo crescimento do número de espectadores. Sob a égide da música da Europa Central, deu-se um passo claro no sentido da internacionalização do Alentejo como destino de arte e natureza.”

A encerrar o festival e antes do concerto marcado, haverá um momento dedicado ao património local, uma visita à Quinta de São João, em Santiago do Cacém, sábado, dia 30 de Junho, às 15:00 horas. Denominada “Sub Tagmine Fagi”, (“À Sombra de uma Faia”), a visita será guiada pelo proprietário Gonçalo Nunes da Silva e pelo arquitecto Francisco Lobo de Vasconcellos.

Esta quinta, que pertenceu ao sargento-mor João Falcão de Mendonça, sobressai pela grandiosidade da sua edificação. A visita deve-se ao notável dispositivo hidráulico que apresenta, com caleiras e tanques, alternando jardins, ruas arborizadas, pomares e mata. Com a colaboração da família Soares Nunes da Silva, recebe o apoio da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, do Centro UNESCO de Arquitectura e Arte, da Real Sociedade Arqueológica Lusitana e da união de freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra.

No mesmo dia, a Igreja Matriz de Santiago Maior, recebe, pelas 21:30 horas, o concerto “Fragmentos Vitais: Kurtág e a sua Circunstância”, pelos alunos, ex-alunos e professores húngaros provenientes da Academia de Música de Liszt. Na voz, a soprano Andrea Brassói-Jorös, no violino Máté Soós, no piano Péter Kiss e no clarinete Péter Szucs.

A embaixadora da Hungria em Lisboa, Klára Breuner, disse em comunicado de imprensa que “A Hungria é um país musical”, e considerou o Terras sem Sombras “uma excelente oportunidade de dar a conhecer a música e a cultura húngaras”.

Sobre a ligação à Hungria, José António Falcão, director geral do festival, realçou o “passo gigante que representa a participação da Academia de Liszt, de Budapeste, neste festival, que reputo como uma das mais importantes no mundo”.

No programa dedicado à biodiversidade, num território delineado por sobreiros, a actividade de salvaguarda da biodiversidade, em que voluntários dão uma mão à Mãe-Natureza, será à Herdade do Loreto, no Domingo, tem encontro marcado nos Paços do Concelho, às 10:00 horas.

A história desta herdade remonta a 1515, em que os frades da comunidade de Nossa Senhora do Loreto adquiriram um vasto espaço para plantarem um sobreiral que chegou até aos nossos dias e que constituem um tesouro de biodiversidade, em risco de degradação.

A acção visa inverter este processo, envolvendo a comunidade local na salvaguarda dos “tesouros do montado”, com a intervenção do Agrupamento local de Escolas, sob protecção da UNESCO. A visita será guiada por Ana Maria Vidal, arquitecta paisagista, Pedro Gameiro, arquitecto e José Mira Pontes, engenheiro zootécnico.

A particularidade do Terras sem Sombra torna-o único entre os festivais internacionais de música. Para além do facto de trazerem a luz erudita às vilas e cidades longe das capitais, as entradas são livres e convidam o público e artistas para uma visita ligada à biodiversidade local.

A entrega do Prémio Internacional Terras sem Sombra acontece no próximo mês de Julho, em Sines.

Fora do programa e a não perder

No Domingo, 1 de Julho, pelas 09:30 horas, o escritor e musicólogo argentino Arnoldo Liberman visita a antiga Judiaria de Santiago do Cacém.
Nascido em 1933 em Concepción del Uruguay, numa família de origem hebraica, Liberman é uma das grandes figuras da literatura e da ensaísta hispano-americana na transição do séc. XX para o XXI.
Escreveu, entre outras obras de uma vasta bibliografia, Aerograma para Julio Cortázar e Gustav Mahler: Um coração angustiado.
Em Santiago do Cacém, vai apadrinhar um movimento para a recuperação da zona outrora ocupada pela comunidade judaica, uma iniciativa do Centro UNESCO de Arquitectura.

Sobre o Autor

Em 2015, mercúrio nascia em Odemira como jornal mensal em papel; libertando-se para uma existência apenas digital, com uma presença online renovada e dinâmica, quatro anos depois, corria o mês de Outubro.

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