O topónimo Manta Rota A origem encontra-se com facilidade

A população da Manta Rota explica a origem do nome com o facto de as mulheres usarem mantas já rotas quando iam esperar os maridos que voltavam do mar da faina da pesca. Este é o clássico modo de explicar a origem dos topónimos pelo povo, em que se cria uma explicação (quantas vezes uma verdadeira história aventurosa e bem romanceada) a partir daquilo que o topónimo pode sugerir no português atual. No entanto os nomes dos sítios nascem da realidade existente no espaço vivido, e não do imaginário criado em volta da lareira, e por isso terá que se encontrar outra explicação para a origem, neste caso, do topónimo “Manta Rota”.

Na realidade a origem do topónimo encontra-se com facilidade. A primeira parte, o “Manta”, deve provir do “mnt” fenício, que no Alentejo deu lugar ao muito comum “monte” alentejano, e que significa “parte, porção, herança”. No caso do “monte” alentejano é afinal o equivalente popular da “herdade” latina usada para designar as propriedades herdadas pela classe dominante. Trata-se de transmitir em ambos os casos a ideia de “espaço herdado” que do fenício nos chegou na forma “monte” e do latim na forma “herdade”.

A segunda parte do topónimo, a “Rota”, já não é tão fácil de encontrar, porque é necessário saber que o ḥet fenício, se seguido de consoante líquida, evoluiu para “a” no português. Neste caso o “ḥrṯ” fenício, passou a “art”, e deu no português atual origem ao nosso verbo “arrotear”. Este termo antigo, que no ugarítico de há mais de 3000 anos se escrevia com as consoantes “ḥrṯ”, evoluiu para “arrote” deu origem na nossa toponímia a muitos “Arrota”, “Arrotas”, “Alrota”, “Brotas”, etc.. Na origem este “ḥrṯ” fenício significava “lavrar, trabalhar a terra”, e foi certamente usado para designar espaços agrícolas. Deve ser observado que até muito tarde (pelo menos até ao século XVIII) grande parte do país era constituído por matos e terras não agrícolas, e que a existência de terra agrícola seria um fator distintivo do espaço. No caso da região de “Manta Rota” até sabemos que essa ocupação agrícola remonta pelo menos à época de ocupação romana, já que são conhecidos no local vestígios arqueológicos de uma “villa”, que era exatamente a sede de uma exploração agrícola da época.

Sobre o Autor

Geógrafo de formação; professor por profissão; investigador por vocação; irreverente por natureza; preocupado com o planeta e com o futuro de todos nós por obrigação.

Deixe uma resposta