Refugiados e futebol

FOTO: Sasin Tipchai

“Refugiados”

“Refugiados” é uma recolha de entrevistas realizadas por Luís Henrique Oliveira a homens e mulheres que, nos últimos anos, partiram de zonas afetadas pela guerra e arriscaram a vida em botes de borracha para chegarem à Europa. O autor viajou para o sul de Itália e escreveu este livro que nos ajuda a compreender o outro e a perceber que o outro é feito da mesma matéria que nós. Livro tão mais importante neste tempo em que se odeia o que tem outra religião, nacionalidade e até clube de futebol. Um ódio que vai até ao desejo, e consecução, da morte do outro, como se vê nas claques da bola.

Claques

O problema das claques não é novo. Do passado recente há histórias de movimentos neonazis a elas ligados, de tráficos de armas e de drogas. Sempre me impressionou o que os homens são capazes de fazer juntos, numa espécie de histeria coletiva, acéfala, impregnada de violência dirigida ao que não é dos “nossos”. Há um livro – um grande livro – em que é descrita a passagem de uma claque por uma estação de serviço e a consequente destruição desta. Trata-se de uma descrição algo surrealista em que os hooligans se vão transformando em animais. A obra é mais que recomendável e a maior parte da ação tem lugar no Alentejo. Chama-se “Fantasia para dois coronéis e uma piscina”, o autor é Mário de Carvalho.

& Tal

O “futebol” já não é apenas um desporto. Dão-lhe o título pomposo e modernaço de “indústria do futebol”. Parece que, por ser “indústria” e os clubes “marcas”, se aceita com mais leviandade os resultados comprados e a concorrência selvagem. Eu gosto de futebol e sofro intensamente nos jogos do meu clube. Contudo, custa-me a perceber os custos do policiamento de claques e segurança que suporto através dos meus impostos, as horas a fio de tempo de antena que lhe é prestado. E dói-me a falta de honestidade e de verdade. A televisão está cheia de doutores encartados que veem o mesmo lance de maneira totalmente diferente, sempre no sentido de dar razão à sua equipa. Não há verdade nem objetividade. E estas discussões, sabemo-lo, têm enorme impacto em toda a sociedade, com as consequências que daí advêm. E eu que em criança aprendi o caráter formativo do Desporto.

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