Lessing, Faria e Sgt. Pepper

Verão

Um amigo que entrou agora de férias perguntou-me que livro deveria levar para a praia. E eu questionei-me se há uma “literatura de praia”. Talvez haja. Pessoalmente gosto de ler na praia qualquer tipo de livro (que seja bom preferencialmente, mas não podemos ler apenas obras-primas, isso é certo). Respondi-lhe o que me veio à ideia de imediato: “As Avós e outras histórias”, de Doris Lessing. Talvez porque a primeira novela que compõe este livro (e que lhe dá o título) tenha uma praia por cenário. “Foi um bom conselho”, fiquei a pensar, meio invejoso, enquanto o meu amigo partia feliz para a praia. (é que não podemos ler apenas obras-primas mas convém lê-las, isso ainda é mais certo).

Almeida Faria

O nome talvez seja desconhecido de muitos. Não surge nos escaparates, não será um best-seller. Todavia foi um dos escritores que mais influenciou a literatura portuguesa dos últimos 50 anos (diria que esta minha afirmação é quase um instinto). E começou a sua carreira com 19 anos (sim, é possível escrever belas obras com 19 anos, é coisa que me parece tão genial e que não consigo explicar) num livro polémico: “Rumor Branco”, na altura muito criticado. Foi Virgílio Ferreira que saiu em sua defesa. Quem quiser conhecer a literatura portuguesa do século passado tem mesmo de o ler. Nos últimos tempos a “Assírio & Alvim” tem reeditado a obra deste escritor alentejano.

& Tal

Sempre ouvi dizer que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band era o melhor álbum de Rock de sempre (opinião muito discutível, é certo). Cresci a ouvi-lo repetidamente e gosto muito do disco em que os Beatles deixam de ser, definitivamente, uma espécie de Boy’s Band meio queque, para se transformarem na vanguarda do seu tempo. O disco faz agora 50 anos, em junho de 2017 (o que quererá dizer que vou deixando de ser novo), e a sua audição não surge datada (pelo menos é assim que o sinto). Reouço-o, deleito-me: a música guia-me, emociona-me, as palavras inquietam-me e fico a pensar na vida, na amizade, no amor e na solidão, nos hippies que não morrem. Pensem e ouçam-no também.

Deixe uma resposta