Prémio Camões is on the air

FOTO: Miguel Riopa / AFP

Prémio Camões

Foi este ano atribuído a Manuel Alegre. Pessoalmente, e embora se sublinhem sempre as suas capacidades poéticas, gosto imenso da prosa de Manuel Alegre. Uma prosa de poeta, nota-se claramente; porém uma prosa límpida e humanista em livros que se lêem avidamente (fiquem tranquilos que não apanham seca), sempre com uma linha de beleza no horizonte. Cada um terá as suas obras prediletas. Por mim, gosto particularmente de “Alma”, talvez pela pureza das memórias de infância do autor. Foi um livro que me ajudou a compreender Portugal e os Homens.

“Love is on the air”

Na última Feira do Livro de Lisboa ficou a saber-se que a “A das Artes” ganhou mais um prémio. O Prémio para a “Livraria com Melhor Atendimento” (é o terceiro ano consecutivo que vence este galardão). Em 2015 e 2016 tinha-lhe juntado o prémio da “Melhor Livraria do País” (em 2017 ficou em segundo, perdendo para a Bucholz, de Lisboa). As razões de tantos prémios para uma livraria situada na costa alentejana, em Sines, longe dos grandes centros urbanos, poderão ser difíceis de encontrar. Na verdade o espaço não é grande, nem se assume por uma particular beleza arquitetónica; a decoração e as montras não deixam ninguém estupefacto; não é um local conhecido pelas suas preciosidades à laia de alfarrabista (embora seja verdade que lá encontramos muitos livros que não há nas grandes – em tamanho – livrarias). Todavia, ao entrar-se na “A das Artes” sente-se no ar o amor pelos livros e pela literatura. E é assim este amor: simples e verdadeiro.

& Tal

Existem cerca de 110 mil palavras de língua portuguesa. Ao que parece, o português médio não usa mais de mil, e este número parece estar a descer. Resultam daqui deficiências de comunicação, incompreensões, mal-entendidos. Resulta daqui, inevitavelmente, um deficiente conhecimento do mundo e uma grande dificuldade em agir sobre ele. Embora não tenha elementos, julgo que os apresentadores de tv, estrelas do nosso país, não usem muito mais vocábulos que o português médio, pelo que em nada contribuem para alterar este panorama. Desconfio que a maioria dos políticos também não o faz, e isso daria uma grande reflexão. A escola simplifica-se, o facilitismo vai-se impondo e evita-se o uso de palavras que os meninos possam não conhecer. Não vejo senão os livros para mudar esta situação.

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