Adjudicada concessão de apoio de praia do Almograve sem concurso e em terreno privado População local e proprietários do terreno protestam por não terem sido consultados

O Município de Odemira faz protocolo com a Associação Casas Brancas de apoio balnear na praia do Almograve concluído em Junho passado e os residentes indignam-se por não ter existido qualquer concurso público apesar dos seus esforços de envio de propostas

Um protocolo de exploração do recém concluído apoio de praia do Almograve, foi assinado entre o Município de Odemira e a Associação Casas Brancas, no início deste mês de Julho, para assegurar o seu funcionamento atempadamente, conforme declaração do Presidente de Câmara de Odemira ao MERCÚRIO.

A população local, segundo Associação Cultural e Recreativa Desportiva da Longueira, está revoltada por “não ter existido qualquer concurso público para a atribuição dos direitos de exploração do referido apoio”, quando veio a saber que o bar foi entregue directamente a José Ramos Cardoso, proprietário da Tasca do Celso, entre outros negócios.

Também os proprietários do terreno onde o referido apoio está instalado contestam a recuperação de uma construção ilegal em terreno seu.

Segundo um dos elementos da família Santos Silva, proprietária do terreno em causa, quando a construção foi executada, havia dúvidas acerca do limite do domínio público e por isso a obra não foi embargada. Mais tarde foi feita a demarcação e constatou-se que a construção estava, na íntegra, em terreno privado. A família também já tinha manifestado o seu descontentamento aquando a beneficiação e alargamento do parque de estacionamento da mesma praia. “Fazem o que querem e não dão troco a ninguém. Não têm sequer o cuidado de avisar nem o respeito por quem lhes facilita a vida. Sentem-se imunes”.

O MERCÚRIO questionou a autarquia odemirense e, em resposta, José Alberto Guerreiro, Presidente da Câmara Municipal, confirmou as especulações que se geraram à volta do assunto: “O apoio balnear de Almograve (WCs públicas e quiosque de apoio à praia) ficou concluído em Junho último.

Face à data da sua conclusão (já com a época balnear em curso), foi estabelecido um Protocolo com a Associação Casas Brancas, aprovado pelo colectivo da Câmara Municipal, com a duração de um ano, para que esta Associação assegurasse o seu funcionamento directamente ou através de um seu Associado”.

José Cardoso, também confirma que será a sua empresa a “tomar conta” do referido espaço.

Em declarações ao MERCÚRIO, a ACRD Longueira congratula-se com o restauro do apoio de praia do Almograve mas afirma que existe um grande número de pessoas interessadas em explorar o quiosque existente. “Várias pessoas aqui da zona manifestaram interesse e até enviaram cartas e e-mails para a Câmara Municipal de Odemira”, e agora denunciam a falta de transparência deste processo, referem.

A obra do apoio balnear da praia de Almograve foi terminada em Junho de 2018, com um investimento total de 69.190,00€.

No que respeita à propriedade da família Santos Silva, até ao fecho desta edição não obtivemos resposta por parte do Edil.

Segundo a mesma fonte da família, nos anos 1980, tinha havido um acordo com a Câmara Municipal para se construir uma ETAR (estação de tratamento de águas residuais) no mesmo terreno mas dentro do perímetro urbano, para a qual foram cedidos cerca de 3 000 metros. “Mas, já nessa na altura, a CMO abusou e ocupou cerca de 9 000 metros e até hoje não está nada escriturado nem desanexado”.

Casas de banho públicas (wc) e bar estão lado a lado e os visitantes deste espaço já se queixam dos maus cheiros.

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