AHRESP revela estudo sobre o impacto do cononavírus na atividade turística 74% das empresas já não estão em funcionamento

fotografia: Marten Bjork

A Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal, revelou, na passada sexta-feira, dia 3 de abril, no âmbito da ameaça global da COVID-19, e dos seus efeitos na economia mundial, e objetivamente em Portugal, os resultados de um novo inquérito junto do alojamento turístico e da restauração e bebidas, de modo a apurar os efeitos que esta pandemia está a causar na atividade das suas empresas.

O Inquérito decorreu entre 1 e 3 de abril de 2020, tendo sido obtidas um total de 1.819 respostas válidas, e representativas dos setores da restauração e bebidas e do alojamento turístico.

Das empresas inquiridas 67% são de Alojamento Turístico e 33% de Restauração e Bebidas; sendo 61% Sociedades e 39% Empresários em Nome Individual; das empresas que responderam 36,7% estão sedeadas na Área Metropolitana de Lisboa, 18,7% no Norte, 17,5% no Centro, 13,7% no Algarve, 7,4% no Alentejo, 1,4% na Região Autónoma dos Açores e 4,6% Região Autónoma da Madeira.

Relativamente ao impacto que o coronavírus teve no emprego, no mês de março, 30% das empresas não conseguiu pagar salários;
63% refere não ter capacidade para pagar salários em abril, caso não consigam ter apoios; 94% das empresas referiu não ter efetuado despedimentos. Dos 6% que referiram ter efetuado despedimentos, cerca de 44% indicou ter extinguido um posto de trabalho.

Quanto a ter a “porta aberta”, 74% das empresas, refere já não estar em funcionamento, e cerca de 58% não tem uma previsão de abertura.

No que respeita à faturação do mês de março, cerca de 44% das empresas referiu ter registado uma quebra superior a 80% quando comparado com março de 2019; mais de 80% das empresas estima não registar qualquer faturação no mês abril, sendo que, para o mês de maio, 70% estima não ter qualquer faturação, e apenas cerca de 12% das empresas está a contar faturar até um máximo de 5.000€.

Para o mês de junho, cerca de 23% das empresas não consegue prever qualquer estimativa de faturação, no entanto, 36% estima que nesse mês continuará sem qualquer faturação, 25% conta com uma faturação máxima de 5.000€, e apenas 7,5% das empresas tem em perspetiva uma faturação entre 5.000€e 10.000€.

Tendo em conta as estimativas de faturação para abril, maio e junho, e a capacidade de suportar os encargos habituais (pessoal, luz, gás, água, rendas (se for arrendatário), encargos financeiros entre outros fornecedores), 42% das empresas referiu que em abril não vai conseguir cumprir com os compromissos, em maio 54% das empresas também não vão ter essa capacidade, e 58% no mês de junho.

Perante esta incapacidade de cumprir com os encargos e compromissos da sua atividade, 17% das empresas admite avançar diretamente para insolvência, 29% tem essa intenção, e 33% das empresas não sabe se irá avançar ou não para insolvência.

O inquérito revela ainda que cerca de 49% das empresas vai recorrer ao layoff (o layoff consiste na redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas, durante um determinado tempo), e 21% ainda não decidiu se vai avançar para essa modalidade; Cerca de 74% das empresas referiu que o layoff é para aplicar à totalidade dos trabalhadores; 75% das empresas vai colocar os trabalhadores com suspensão total da prestação de trabalho, 18% com redução parcial de horário e 7% refere ter os trabalhadores nas duas situações; 70% das empresas não irá ter capacidade para pagar os 2/3 da remuneração dos trabalhadores, caso a Segurança Social não entregue o respetivo apoio antes do final de abril.

Quanto ao recurso a apoios financeiros 77% das empresas indicou não ter recorrido aos apoios disponibilizados no âmbito do coronavírus;

Das empresas que recorreram às linhas de apoio, 56% indicou ter recorrido à linha de apoio à tesouraria do Turismo de Portugal.

58% das empresas refere que as linhas de apoio financeiro não são adequadas às necessidades das empresas, e indicam apoios a fundo perdido, isenção de impostos e encargos financeiros, como as principais soluções para apoiar o tecido empresarial.

Sobre a AHRESP
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) nasceu em 1896. Atualmente, é a maior Associação empresarial na defesa e representação de um setor que é uma das mais importantes locomotivas do desenvolvimento e da economia da sociedade portuguesa: o Turismo. Tem como missão a defesa, apoio e representatividade dos seus associados, razão da sua existência.

Sobre o Autor

Em 2015, mercúrio nascia em Odemira como jornal mensal em papel; libertando-se para uma existência apenas digital, com uma presença online renovada e dinâmica, quatro anos depois, corria o mês de Outubro.

Deixe uma resposta