DNA

Vivemos encurralados numa herança genética que envolve cada um dos sentidos. A coisa sente-se logo ao despertar, o tom da pele, o desenho dos olhos, a preponderância capilar e, sobretudo, a personalidade, coisa que não se define por si, mas que se intui, e que ao longo dos meses, mais tarde anos, se vai definindo como o traço mais rigoroso da nossa existência. É assim, não se pode fugir dela. O problema é que este património que nos encerra não fica pelo nosso corpo, também se transmite pelas gerações vindouras, como uma pequena praga. É imortal. O resto, o pequeno remo que nos sobra para combater as evidências, se tivemos forças para isso – e não se fala cá em bisturis – poderá dar-nos outra presença, outra distância. Outro olhar sobre o mundo. E é isso que nos vale, se quisermos aprender a viver.

Sobre o Autor

Nasceu e cresceu em Lisboa e viveu quase duas décadas no Oriente. Gosta de se referir como "escritor visual". Publicou um livro e é um ambientalista simplório. Reside em Odemira há uma mão cheia de anos, mas continua a deambular pelo mundo e por outros planetas.

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