Oddmira

Com o tempo a passar de forma avassaladora, ficamos sempre a pensar na razão que nos faz permanecer nesta terra. Sabemos, por vezes de modo vago, o motivo que nos trouxe, mas a justificação para a permanência torna-se um assunto que deixamos de abordar. Porquê aqui? Para muitos é simplesmente “a terra”. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Para outros, a natureza, os passeios ao fim da tarde à beira-rio, o mar sempre por perto, o refúgio seguro. O trabalho, claro. O sítio ideal para os putos crescerem. E uma série de outras justificações. Os acessos continuam a ser terríveis, mas até isso acaba por ser uma vantagem, deixa-nos imunes à sazonalidade. Há sempre uma boa desculpa quando a razão se esbate. Mas os meses passam, os anos de permanência começam a aproximar-se de todos os dedos das mãos, e no final, há sempre uma luz vermelha que traz o alerta: porquê aqui e não noutro lugar? E quando será o dia da partida para outro lugar?

Sobre o Autor

Nasceu e cresceu em Lisboa e viveu quase duas décadas no Oriente. Gosta de se referir como "escritor visual". Publicou um livro e é um ambientalista simplório. Reside em Odemira há uma mão cheia de anos, mas continua a deambular pelo mundo e por outros planetas.

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