Porquê eu? Guia prático para respostas de conversa de café

FOTOGRAFIA: Markus Spiske

Eis algumas dicas para dar uma resposta nas suas conversas de café. Não se preocupe com a falta de fundamentos, não existem. Mas quem quer saber de factos quando se têm opiniões?

• Alterações climáticas?
É tudo propaganda para semear o medo. Houve sempre alterações. Um clima estável não existe. Além disso, eu não posso fazer nada.

• Voos de curta distância?
Desistir significaria mais automóveis, portanto mais CO2. E a economia precisa de ligações rápidas de uma cidade para a outra.

• Redução do consumo de carne ou renúncia?
Proibições não resultam, e depois, toda a gente ia comer soja, sendo necessário abater a floresta tropical. Ou vão comer produtos para cuja produção é utilizado óleo de palma.

• Evitar o uso de plástico?
No dia-a-dia, leva a muitos problemas. As pessoas com deficiências, p. ex., precisam de palhinhas de plástico. O lixo de plástico é um problema asiático, não europeu. Sacos de juta ou papel são piores para o balanço de CO2.

• Aumento dos impostos para o querosene?
Impede o entendimento internacional. Viajar tem um grande valor intrínseco, ensinando-nos muita coisa. Além disso, a maior parte dos voos não poderia ser cancelada e as pessoas mais pobres já não poderiam viajar de avião.

• Aumento dos impostos para gasóleo e gasolina ou limites de CO2 para os SUV e outros monstros semelhantes?
Penaliza especialmente as famílias e as pessoas mais pobres. Não evita que as pessoas andem de carro. Além disso, os SUV que quase sempre estão estacionados não produzem CO2.

• Aumentar o preço da carne, melhorando a qualidade da criação dos animais?
Penaliza desproporcionalmente as pessoas mais pobres. Além disso, o problema principal é o aumento do consumo de carne na China e em África.

• Doar dinheiro a organizações que trabalham na protecção do clima?
É venda de indulgências dos tempos modernos e pouco ético. As pessoas continuam a acreditar que não se deviam preocupar com a sua pegada ecológica. Assim, agravam-se os problemas.

• Investir nos transportes públicos?
É demasiado caro, ninguém os usa. Os investimentos – quando se contabiliza tudo – produzem mais CO2 do que os carros cuja circulação se quer evitar.

• Veículos eléctricos?
A produção duma bateria produz mais CO2 do que um carro a gasóleo durante a sua vida útil. Além disso, a electricidade provém das centrais existentes, produzindo mais CO2.

Etc., etc.. Na dúvida funciona também: tudo o que fazemos aqui será contrariado pelo crescimento em China/Índia.

Resultado: Vivemos na sociedade mais amiga do clima. Todas as tentativas de mudar alguma coisa teriam consequências catastróficas.

Obrigada Baron von Agitpop pela sugestão! Obrigada “Fridays for Future”!

PS: Não tenho a ilusão de que mudar o comportamento individual vai “salvar o planeta”, mas sem a vontade de questionarmos a forma de vida a que estamos habituados, sem reflectirmos sobre a nossa pegada ecológica individual nunca seremos capazes de ganhar força suficiente para obrigar “os nossos governantes” (os eleitos e os “donos de tudo isto”) a tomar decisões verdadeiramente eficazes para evitar uma catástrofe que quase 100% dos cientistas especializados na área preveem.

Temas:

Deixe uma resposta