Gratidão faz bem ao coração! Anote coisas que lhe aconteceram pelas quais está grato

FOTOGRAFIA: Simon Maage

Estar agradecido leva um estado de bem-estar e melhora a sua saúde. Estar agradecido é celebrar a vida.
Um estudo pela John Templeton Foudation diz que 69% das pessoas sente-se grata quando algo de bom acontece inesperadamente; 62% das pessoas sente-se grata com frequência pelos seus filhos e família; 52% sentem-se gratas com Deus com frequência; 49% tentam sentir gratidão todos os dias por coisas simples como o pôr do sol; 16% das pessoas dizem que precisam de algo fora do comum para se sentirem gratos.
E para o leitor, quais são os acontecimentos que o fazem sentir-se Grato? Já pensou nisso?
Qualquer pessoa pode melhorar o seu bem-estar e aumentar o seu sentimento de felicidade fazendo exercício intencionais de Gratidão. Uma vez que os níveis de felicidade são influenciados em 50% pelo seu nível basal, 10% pelas circunstâncias e 40% por actividades intencionais (Fugita & Diener, 2005), o exercício da gratidão poderá então ser estimulado, transformando-se num elemento indispensável da felicidade (Emmons, 2009).
Os exercícios intencionais de gratidão implicam a criação de uma rotina simples que nos lembre de pequenas e grandes coisas pelas quais estamos gratos. Podemos estar gratos pela água quente do duche, por uma viajem maravilhosa que fizemos, pela boa vontade do vizinho que nos ajuda naquilo que precisamos, pela sensação de conforto e proteção da nossa casa ou simplesmente pelo cheiro a pão quente. O bem-estar e/ou a felicidade acontece no momento em que, com intenção lembramos ou agradecemos presencialmente aquilo por que estamos gratos.
Quando conseguimos sair do modo automático em que vivemos a maior parte do tempo, tomamos consciência de uma quantidade de coisas, situações, tarefas e pessoas que fazem parte da nossa vida, mas que passam despercebidas. Pensando apenas no tempo que vai desde o momento antes de acordar, o acordar, o pequeno almoço e a organização para sair de casa há uma quantidade de pequenos confortos e prazeres que deixámos de valorizar, mas que não queremos viver sem eles porque facilitam e dão conforto à nossa vida. Entre o estar na cama, o novo dia, a roupa, o banho, os cheiros, a luz, a comida, as pessoas, os animais, as coisas bonitas da nossa casa, o ar fresco da manhã… há muito para estar grato!
Estar grato melhora a nossa saúde, melhora o nosso humor, melhora as nossas relações com as outras pessoas e é grátis e simples!
Estar grato aumenta a empatia e diminui a agressividade; Estar grato torna-nos mais sociáveis e facilita novas amizades; Estar grato melhora a autoestima, a resiliência e promove um auto-conceito positivo. link
Um pouco de teoria baseado em vários estudos e autores.
“A palavra gratidão deriva do latim gratia, que significa «favor», e gratus, que significa «agradar»” (Emmons, 2009, p. 17). Todas as derivações da palavra estão relacionadas com a bondade, a beleza de dar e receber, de partilhar, de ser gentil, generoso, de retribuir (Pruyser, cit. in Emmons & Shelton, 2005). A gratidão tem sido descrita de diversos modos, quer como emoção, estado de espírito, virtude moral, traço de personalidade, hábito, forma de coping ou, tão simplesmente, como modo de estar na vida (Emmons, 2009).
Enquanto emoção, transmite maravilhamento, agradecimento e gosto pela dádiva oferecida. Pode ser expressa relativamente a outras pessoas, mas também em relação a entidades não humanas, como sejam Deus ou animais, ou impessoais, como por exemplo a natureza (Emmons & Shelton, 2005; Emmons, 2009; Seligman, 2008).
Neste sentido, a gratidão não é tão-somente um sentimento, é algo que exige o reconhecimento de que houve alguém que nos presenteou de algum modo com a sua bondade, que foi algo intencional, e que até poderá ter tido custos pessoais, e ainda que o dito “presente” tem valor para o seu receptor. Para além disso a gratidão está intrinsecamente relacionada com a noção de que nada foi feito no sentido de se merecer o benefício proporcionado, ou de se ter recebido mais do que o que seria realmente merecido, motivando a reciprocidade. Há, portanto, a noção de que a bondade de terceiros é independente de nós próprios e das nossas acções. Assim sendo, é condição necessária para se ser grato o reconhecimento da existência de coisas boas e agradáveis (Bartlett & DeSteno, 2006; Emmons, 2009; McCullough et al., 2001; Tsang, 2006; Tsang, 2007).
Ser-se genuinamente grato é sentirmo-nos endividados de uma maneira que impede a retribuição. Dada esta realidade, a mera tentativa de retribuir é uma autêntica expressão de gratidão (Emmons & Shelton, 2005).
Pessoas que se sentem gratas e reconhecidas revelam maiores níveis de emoções positivas, sentindo-se mais alegres, felizes, carinhosas e entusiastas. Aparentemente isto deve-se à prática da gratidão, que também as ajuda a evitar sentimentos destrutivos, como a ganância, inveja e rancor. Quem sente gratidão consegue lidar melhor com o stress e traumas, e pode mais facilmente recuperar de enfermidades e ter mais saúde física (Emmons, 2009; Emmons & McCullough, 2003, Fave, 2006).
Em suma, a gratidão prediz e causa bem-estar (Emmons & McCullough, 2003; Lyubomirsky, Sheldon & Schkade, 2005; Park, Seligman, Steen & Peterson, 2005). “A felicidade é facilitada quando apreciamos aquilo que nos foi dado, quando «desejamos o que temos»” (Emmons, 2009, p. 25). Neste sentido a felicidade será potenciada pela gratidão, pois mais uma vez, e de acordo com o mesmo autor, foram encontradas relações entre a gratidão e a capacidade de apreciar o bem, sendo estas directamente proporcionais. Por seu turno, as pessoas felizes sentem-se também mais auto-confiantes, criativas e são mais afortunadas. Ao focarem-se no que lhes foi dado por terceiros sentem-se acarinhadas e amadas (Fredrickson, 2001). Link
Para criar a rotina de fazer exercícios intencionais de gratidão pode começar por ter um caderninho à beira da cama onde anota coisas que lhe aconteceram nesse dia pelas quais o leitor está grato!

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