Existe uma visão de futuro no concelho de Odemira? Na motivação política, económica e social em Odemira, haverá a intenção de se criarem alguns jardins ou o amor ao poder é mais forte que o poder do amor ao serviço?
A liderança é o tema que segue naturalmente e que está diretamente ligado ao da motivação, abordado no último editorial
É bem conhecida a expressão “O bom líder faz forte a fraca gente e o mau líder faz fraca a forte gente”. (Assunto muito bem exposto, na edição passada, por Fernando Almeida).
Imagine-se, por analogia, um jardineiro enquanto líder do seu jardim – esquecendo, por momentos, a complexidade do ser humano e realçando a alegre expressão das flores através das suas infinitas formas e perfumes. Qualquer leigo em jardinagem sabe que o sol, a água, os nutrientes e a poda são os elementos essenciais para a manutenção da beleza de um jardim.
Sabendo que o jardineiro não inventou a buganvília mas que a buganvília já tem em si a informação (inteligência) de que virá a ser uma buganvília, colocá-la num lugar soalheiro será, como alguém que lidera uma qualquer relação de caráter empresarial, social, político, familiar ou outra, mostrar o caminho ao liderado, partindo do princípio que aquela inteligência lhe é intrínseca. Sem sol a buganvília não resplandece.
Este tipo de atitude, proporcionar o sol, fonte de energia que permite a vida, fortalece as pessoas, logo, as organizações, de forma duradoura porque lhes dá o propósito de um amor maior pela sua família de trabalho.
Para a buganvília, o sol é bom mas não é tudo. É preciso regá-la, também. A água permite o desenvolvimento das competências do liderado de forma harmoniosa e consciente, facilitando o seu equilíbrio emocional e promovendo o prazer de ultrapassar o seu dia-a-dia.
Os nutrientes que o líder acrescenta, de forma generosa, traduzem-se nas ferramentas, comportamentais ou executivas, que permitam ao liderado superar-se ou, no limite, superar o próprio líder. É o princípio da liderança sem medo, do líder que se supera, também. Daquele que se nutre a si próprio através da alegria de ver quem o rodeia, superar-se.
A poda serve como orientação. É como dizer-se “não é por aí”.
O jardim só se torna efetivamente bonito se o cuidado do jardineiro for entendido e sentido. Daí a necessidade da existência de uma cultura de valores sólida e firmemente preservada que, muitas vezes, obriga a chamar à razão a existência do coletivo e, outras vezes, a considerar que uma das flores deverá sair daquele canteiro, dando-lhe a oportunidade de florir noutro lugar.
A visão do jardineiro concretiza-se na oferta do prazer a quem se passeia pela sua criação e que, no meio de perfumes subtis, experimenta a sensação da leveza que se sente quando se dá sem esperar nada em troca.
A construção de um jardim é um trabalho árduo e de longo prazo. É um processo que passa pela seleção das espécies, pela adequação dos solos, pelos constrangimentos do clima, pelo percurso do jardineiro… A construção de um jardim aplica-se a cada pessoa, à família, à escola, ao tecido empresarial, às crenças, às intenções, à teia política…
A nível local, surgem duas questões: Existe uma visão de futuro no concelho de Odemira? Na motivação política, económica e social em Odemira, haverá a intenção de se criarem alguns jardins ou o amor ao poder é mais forte que o poder do amor ao serviço?
