O braço de Ferro II e outro Dois temas para reflexão

1 NO EDITORIAL da edição número 33 do mercúrio foi aqui falado acerca da influência de António Ferro até aos nossos dias. Aliás, como hoje em dia se continua a utilizar as mesmas técnicas de controlo social e de distração e entretenimento do povo, para que este não constitua uma ameaça à governação, por parte, exatamente, de quem governa.

Aquilo que interessa é que ninguém “levante ondas”.

Foi aqui citado João Carlos Martins: “O poder latente no discurso salazarista ainda hoje persiste, em alguns setores da sociedade portuguesa, pelo excesso de ideologia que contaminou, ao longo de décadas, toda e qualquer prática política”.

O culminar desta influência foi no passado dia 18 de junho, quando Presidente da República, Primeiro-ministro, Presidente da Assembleia da República, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, entre outras figuras do estado e da sociedade, num concerto dos Xutos & Pontapés, no Rock in Rio, sobem ao palco, num momento de homenagem a Zé Pedro, falecido no passado dia 30 de novembro, para cantar, com uma multidão na plateia aos saltos, uma das icónicas canções do regime de Salazar: “A Minha Casinha”, cantada por Milú (atriz), cuja letra original de João Silva Tavares reza o seguinte:

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu
O meu quarto lembra um ninho
e o seu teto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor teto,
por favor deixe-me entrar.»
Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.
De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.
Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saúde e faz crescer”
diz o povo e tem razão.
Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

E é isto. Pobrezinhos mas felizes! Ou será ignorância e esquecimento? ?


2 Só para reflectir:

– Universidades e ONG fazem parcerias com outras entidades e candidatam-se a fundos comunitários para fazer o trabalho que compete ao estado.

– O que é que se passa com o ICNF?

– Por não ter um corpo técnico o ICNF acaba por ser uma entidade apenas fiscalizadora e comitiva e que vive à conta do ‘know-how’ que está espalhado pelas ONG e universidades.

– No Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) não existe nenhum biólogo nem nenhum agrónomo.

-Seria bom saber-se quantos pedidos de parecer para atividade agrícola foram apresentados ao ICNF e quantos foram aprovados nos últimos dois anos.

José Alberto Guerreiro, Presidente da Câmara Municipal de Odemira, na conferência “A Nova Agricultura e o Desafio da Sustentabilidade”, no passado dia 6 de Julho, no auditório do Crédito Agrícola, disse o seguinte:

“Não é fácil para quem investe, saber exactamente onde é que o pode fazer e em que condições e às vezes não é fácil às entidades, cada uma por si, dar os respectivos pareceres solicitados”.

E mais à frente:

“Estamos à espera de um despacho, há 3 meses de 3 ministros, eles devem estar ao lado uns dos outros mas têm dificuldades em conversar. Um conselho de ministros provavelmente seria uma boa oportunidade para assinar o despacho que até é consensual entre todas as entidades e é absolutamente necessário para prosseguir este trabalho de governação mas também a título de encontrar pontos de equilíbrio entre este desenvolvimento de forma que ele seja sustentável no ponto de vista económico, social e ambiental”.

E é isto.

Sobre o Autor

Produtor cultural de vocação e profissão. O jornalismo vem a reboque do seu sentido de justiça apurado e pela procura da verdade. O Amor e o Humor fazem parte da sua vida. Escreve de acordo com o AO 1990.

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